Crítica

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A EXPLORAÇÃO DOS IDOSOS

Nicolau Amaral
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Ao ter acesso, nesta semana, a alguns dados da Pesquisa do Instituto Somatório, alguns números me chamaram a atenção, principalmente na questão da contribuição para a renda familiar nas classes A, B, C e D. O estudo entrevistou 1.500 pessoas com mais de 60 anos, de todas as classes sociais, em dez cidades do País, no final do ano passado.
Só para ilustrar a exploração dos idosos pelos seus familiares, a pesquisa chegou aos seguintes dados: na classe A os idosos contribuem com 55% da renda familiar; na classe B com 59%; na C com 72% e; na D 88%. Outro dado relevante é quanto à alimentação dessas pessoas. Quando moram com a família, suas despesas com alimentação somam R$ 123,00, mas se vivem sozinhos, esse valor sobe para R$ 281,00. Já com a saúde, gastam somente R$ 54,00 morando com a família e R$ 173,00 quando vivem sozinhos. Com telefonia, os que moram com a família gastam R$ 26,00 contra R$ 66,00 pagos por aqueles que moram só. Ainda segundo o estudo, a renda da 3ª idade atinge cerca de R$ 7,5 bilhões por mês, 93% dos idosos têm renda própria e colaboram com 71%, em média, do orçamento familiar.
Os dados levantados nesse trabalho me permitem afirmar que hoje os idosos, além de serem espoliados pelo governo após a implantação do famigerado “fator expectativa de vida” que ano a ano vem reduzindo as aposentadorias, acabam também sendo explorados pelos próprios familiares, seja por falta de empregos ou mesmo pela preguiça dos seus descendentes, que se aproveitam para ficarem no bem-bom, esperando a mesada de avós, pais e outros provectos próximos. E esses idosos, em troca da sua grande contribuição compulsória, esperam um pouco de companhia e amor dos seus familiares, o que não acontece em muitos casos.
Hoje em dia a adolescência está sendo prolongada, ninguém se casa cedo. Sair da casa dos pais, nem pensar, pois com moradia, comida e roupa lavada de graça, quem vai querer pagar por elas? Trabalho existe, e muito, mas a maioria dos jovens e nem tão jovens só quer saber de emprego com bom salário. Responsabilidades e horários não matam ninguém, só exigem esforço e dedicação.
É hora dos novos idosos brasileiros começarem a pensar mais em si próprios, serem um pouco egoístas e independentes e criarem a sua nova realidade. Somos milhões e milhões, um filão poderoso em termos políticos e econômicos. Precisamos lutar por nossos direitos, gastar e aproveitar o que é nosso conosco mesmo, e passar a responsabilidade para os mais jovens cuidarem de si próprios, pois quando não estivermos mais aqui, de uma forma ou de outra, eles terão de se virar, gostem ou não. Portanto, é melhor que comecem já!  
* Nicolau Amaral é empresário da área de Comunicação. 
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Blog: http://nicolauamaral.blog.terra.com.br 

LARGADOS AO LÉU

* Nicolau Amaral
 

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Uma vasta população já está largada ao léu e vem aumentando dia a dia. Esta será a bomba social que irá explodir muito mais cedo do que imaginávamos.Infelizmente até este momento, nenhuma providência vem sendo tomada para minimizar a catástrofe que se aproxima e que atingirá todos nós.
Estou falando dos idosos que cada vez mais passam a necessitar de cuidados e, infelizmente, não têm ninguém para olhá-los. Seus proventos e aposentadorias são consumidos por uma política econômica que só espera que tal parcela da população desapareça, ou melhor, morra o mais rápido possível. Famílias modernas não têm tempo, nem fundos, para cuidar dos seus idosos, não existem profissionais especializados e o governo nunca se preocupou em prever recursos e projetos para eles. O que já estamos percebendo são jovens idosos sexagenários, consumindo seus bens e se desgastando emocionalmente e fisicamente para suprir as necessidades de seus familiares mais velhos, na faixa de 80 a 90 anos.
Neste momento ainda existem alguns filhos abnegados e obrigados, por falta de opção, a olhar seus pais. Estes mesmos filhos provavelmente não terão quem olhá-los quando atingirem a idade atual dos seus progenitores. A constituição das famílias mudou muito, já se prevendo um crescimento negativo da população. Por outro lado, o número de idosos vem aumentando exponencialmente, como demonstram várias pesquisas, sendo que nunca existiram tantos octogenários e nonagenários vivos em toda a história da humanidade.
O que fazer com esta vasta população carente de cuidados, não só físicos, mas também emocionais? Como suprir suas necessidades específicas? Como abrigá-los? Como motivá-los e entretê-los? O que será dos futuros idosos, ou seja, de nós mesmos quando já não tivermos mais condições de sermos independentes?
Infelizmente sou só uma mente pensante e preocupada. Tenho certeza de que se não se iniciar urgentemente uma discussão com sociólogos, psicólogos, médicos, economistas, educadores, empresários e outros profissionais atuantes no mercado, de todos os segmentos da sociedade e com o apoio do governo, esse problema só irá aumentar, numa rapidez muito maior do que qualquer um possa imaginar, atingindo todos nós irrestritamente num futuro bem próximo.
* Nicolau Amaral é empresário da área de Comunicação. 
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