O Corinthians faz 100 anos em festa exclusiva para sua torcida
O mais antigo clube grande do futebol paulista chega ao centenário em guerra fria com os dirigentes do São Paulo. A política do esporte também entrou no campo das eleições com homenagem ao presidente Lula
Pode parecer inocente, mas seria bom poder assistir no feriado de 7 de Setembro, a um festival de jogos de futebol no Estádio do Pacaembu, com portões abertos, em comemoração aos 100 anos de fundação do Sport Club Corinthians Paulista. Afinal todos que acompanham o futebol sabem que o hoje clube de Parque São Jorge, foi fundado no Bom Retiro, a 1° de setembro de 1910, sob a luz de um lampião de gás, por treze rapazes. O nome escolhido veio em homenagem a um time inglês que tinha feito jogos com êxito em São Paulo. O nome desse clube é Corintian, sem o “s” e os rapazes escolheram Corinthians para mostrar que eram admiradores daquela equipe e quem fizesse parte de novo time seria integrante daquele grupo de torcedores em São Paulo, por isso Corinthians Paulista.
A importância dessa história para o futebol é inegável, em razão disso, todas as equipes que disputam o Paulistão poderiam participar, no feriado da independência de um mata – mata, em partidas com a duração de dois tempos de 10 minutos. No final alguém se sagraria campeão, mas daria a taça de presente ao Corinthians, caso este não conquistasse o título, em forma de homenagem, por lembrança de uma festa da coletividade esportiva que também entraria para a história. Esta seria também uma forma de se reviver o Torneio Início, que acontecia na abertura do Campeonato Estadual, em tempos passados. Tudo em nome do esporte e da paz nos estádios, mas isso certamente não passa de um sonho visto que a realidade do futebol, hoje em dia, é bem outra.
Os dirigentes dos grandes clubes se detestam e fazem tudo para prejudicar uns aos outros. Sãopaulinos debocham dos corintianos que em cem anos não conseguiram ganhar a Copa Libertadores da América, ou construir um estádio com o tamanho de sua torcida. Mosqueteiros revidam com apelidos e gracejos e nessa também embarcam palmeirenses e santistas. Isso não deixa de fazer parte do futebol, gozações sempre existiram, mas de uns tempos para cá os ataques saíram da esfera dos torcedores e seguem na mesma medida junto aos cartolas.
A chance obtida pelo Brasil de ser a sede da próxima Copa do Mundo transformou a cidade de São Paulo no centro de uma guerra de influências, onde a CBF – Confederação Brasileira de Futebol decide tudo em nome da FIFA, organizadora do mundial. Assim já está definido: o estádio da capital paulista que irá sediar os jogos em 2014, inclusive para a cerimônia de abertura, será o do Corinthians, em Itaquera. Tal decisão supera inclusive o posicionamento anterior de autoridades constituídas, como o governador e o prefeito que tinham por opção o Morumbi, pois está definido que não irão colocar dinheiro público em obra alguma voltada à Copa do Mundo.
O custo de um estádio em Itaquera para 30 mil lugares tem o preço estimado de R$ 350 milhões. Com a ampliação da capacidade para cumprir as exigências da FIFA, quanto ao local de abertura da Copa 2014, serão mais R$ 180 milhões. Totalizando R$ 530 milhões que o Corinthians não tem, mas que pretende conseguir com a ajuda de terceiros. País rico, é outra coisa.
Um fator não levado em consideração é que as obras do Metrô paulistano estão direcionadas para a zona sul, onde fica o estádio do Morumbi, que já existe, mas depende de uma grande reforma. As estações Pinheiros, Butantã e Vila Sonia estarão prontas e funcionando antes de 2014 e todo o transporte coletivo será direcionado a elas. Além do mais, os melhores hotéis de São Paulo estão na região da Avenida Luis Carlos Berrine, próxima do Morumbi. Para os torcedores seria um pulo, os mais animados seguiriam até mesmo a pé. Entretanto, se tudo for direcionado para Itaquera, a cidade vai ficar de pernas para o ar. Estádio na zona leste, hotéis na zona sul.
Mas a vontade da CBF prevalece. A entidade jamais aceitou o Morumbi depois da eleição para a presidência do Clube dos 13, de um candidato que não era o preferido do atual presidente, Ricardo Teixeira e com voto da diretoria do São Paulo Futebol Clube. Já o presidente do Corinthians, Andrés Sanches, sempre esteve ao lado da Confederação Brasileira de Futebol, tendo comandado a delegação da seleção brasileira que foi à Copa da África do Sul .
Ninguém tira os méritos do presidente do Corinthians que age em favor de seu clube e dos torcedores de um modo geral. Espera-se, contudo, que após as eleições, o novo governador e também o prefeito, definam um posicionamento melhor com relação à obra que vai mudar a vida, os transportes e até o mercado imobiliário da cidade. Algumas questões também deveriam ser respondidas pelo presidente da República, que publicamente defendeu a escolha do Morumbi para ser sede dos jogos na capital paulista, mas por outro lado, segundo fontes, ajudou nessa negociação para que chegássemos a esse desenlace, tanto que foi homenageado pelos corintianos na festa do Anhangabaú, na última terça-feira.
O Corinthians faz aniversário e sua torcida comemora ao lado dos atuais e antigos jogadores, além dos dirigentes que ajudaram engrandecer o clube ao longo da história. O momento político, por outro lado, permanece efervescente por causa das eleições e pela concorrência cada vez mais acirrada entre os que comandam o futebol.
O Parque do Ibirapuera tem uma história anterior a 1954
Idéia de se construir um parque em meio ao alagadiço existente entre o Jardim América e o Campo de Aviação de Congonhas remonta à década de 1920 e a primeira planta do projeto foi assinada pelo então prefeito Goffredo da Silva Telles, em 29 de julho de 1932
A prefeitura de São Paulo organizou com ênfase as comemorações dos 56 anos do Parque do Ibirapuera, acontecidas no sábado, dia 21 de agosto de 2010. Sua história, entretanto, começa com atraso: Previsto para ficar pronto em 25 de janeiro de 1954, quando a cidade comemorava o IV Centenário, o parque somente foi entregue sete meses depois. O projeto arquitetônico definitivo, com traçado do terreno e desenho dos edifícios, foi de Oscar Niemeyer, enquanto Roberto Burle Marx se responsabilizou pela obra paisagística. Até que se chegasse a isso, entretanto, muitas discussões aconteceram e o projeto do Ibirapuera ficou engavetado durante anos.
Em 2002 recebi na redação da Rádio Eldorado um telefonema do professor emérito da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Goffredo da Silva Telles Júnior, pedindo para que eu divulgasse que o projeto de construção do Parque do Ibirapuera era do pai dele. Goffredo Teixeira da Silva Telles era o prefeito da cidade em 1932, tendo elaborado a planta da área que originou o parque. Sugeri então o professor de viva voz contasse esse fato para os ouvintes. Ele aceitou e guardo até hoje a gravação desse depoimento. “Tenho na lembrança até o nome do projeto em que meu pai se debruçou durante semanas na mesa de nossa casa: Parque Municipal do Ibirapuera”, contou Goffredo que é o autor da célebre Carta aos Brasileiros, editada 1977, onde pedia o fim da ditadura militar.
A idéia de se construir um parque naquela região de São Paulo foi lançada em 1927 pelo prefeito Pires do Rio, mas havia um grande obstáculo, o terreno era demasiadamente alagadiço, tanto que o nome Ibirapuera, em tupi significa madeira podre, ou árvore apodrecida. Mas um modesto funcionário da prefeitura, Manuel Lopes de Oliveira, conhecido como Manequinho Lopes, sugeriu e depois saiu plantando, centenas de eucaliptos australianos, cujo objetivo era a drenagem do solo e a eliminação do excesso de umidade.
Em 1951 o governador do Estado, Lucas Nogueira Garcez, institui uma comissão mista, composta por representantes dos poderes públicos e da iniciativa privada, para organizar as comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo, tendo como marco das comemorações a construção de um parque. O presidente desta comissão foi o empresário Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, que recebeu duas propostas de construção de um parque público: a primeira delas na região do Anhembi e outra no Ibirapuera. Ele preferiu a segunda por estar próxima do Campo de Congonhas, condição que daria valor ao lugar. A decisão foi aceita, mas para surpresa geral o presidente da comissão de festejos foi destituído do cargo, sendo chamado para seu lugar o poeta Guilherme de Almeida. A ordem teria partido do prefeito Jânio Quadros, candidato a governador. Nunca se soube quais foram os reais motivos da demissão porque publicamente Jânio e Ciccilo se davam bem.
O Parque do Ibirapuera foi construído em um terreno onde uma parte pertence ao governo do Estado e outra à prefeitura, por isso um convênio estabelece que a administração do lugar fica por conta do Depave – Departamento de Parques e Áreas Verdes, da Secretária Municipal do Meio Ambiente. As áreas onde se encontram o antigo prédio do Detran, o Palácio Nove de Julho, o Estádio Ícaro de Castro Mello e o Ginásio Geraldo José de Almeida, pertencem à área destinada originalmente ao Parque do Ibirapuera, conforme a planta citada pelo professor Goffredo, que veio a falecer em 2009, aos 94 anos. No lugar onde está a Assembléia Legislativa chegou a existir um outro lago e se tudo fosse levado ao pé da letra, até mesmo o Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, seria também um intruso na paisagem do Ibirapuera.
Apesar das modificações no projeto original, o parque permanece aprazível, sendo o mais freqüentado da capital paulista, por ter o maior número de atrações. O visitante pode escolher entre o Planetário e o Anfiteatro, entregue em 2004, além das exposições na Oca. Na Marquise funciona um bicicletário e há também o Museu de Arte Moderna, o Pavilhão da Bienal, o Pavilhão Japonês e o Viveiro de Plantas. Além disso, há várias áreas para atividade física, uma ciclovia reformada, treze quadras esportivas e playground. Dá até para levar o cãozinho sem nenhum inconveniente. O Ibirapuera é hoje a praia de São Paulo.
Brasil possui 18 sítios históricos considerados Patrimônio da Humanidade
Decisão da Unesco anunciada em Brasília, eleva a Praça São Francisco, no município de São Cristóvão – SE à mesma importância das Muralhas da China e Pirâmides do Egito
Construída no final do século 16, a Praça São Francisco é o único marco representativo que resta no Brasil da época em que a Espanha dominou Portugal. Contam os livros de história que Dom Sebastião, o mais querido de todos os reis de Portugal, foi lutar por sua pátria na batalha de Alcácer-Quibir e lá morre sem que seu corpo seja encontrado. Ainda jovem não deixa nenhum sucessor.
Seu parente mais próximo era Dom Filipe II da Espanha, que assume o trono português em 1580, na espera de um novo rei que viesse de alguma das casas reais lusitanas. No povo português reluzia a esperança pela volta de Dom Sebastião, mas o tempo passa e o domínio espanhol se estende por 60 anos, sem que o querido rei voltasse. Mais tarde diria o poeta Fernando Pessoa, que em seu modo de ser, o povo português já não vivendo a fase de conquistas dos grandes navegadores se entristeceu, parecendo ainda esperar pela volta de Dom Sebastião. “Navegar é preciso, viver não é preciso”, lamenta o coração lusitano desesperançado.
Somente a coroação de Dom João IV, da casa de Orleans e Bragança, em 1640, coloca fim ao domínio espanhol sobre Portugal que volta a ter um rei unicamente seu. Desse tempo em que o Brasil ainda era colônia portuguesa restou a igreja e o convento de São Francisco, mandados construir pelos espanhóis, no mesmo estilo de outras edificações existentes na Argentina, em Cuba ou no México. Em São Cristóvão, que já foi a capital de Sergipe, a praça de São Francisco parece insistir em manter os mesmos ares do século 17, quem sabe também a esperar pela volta de Dom Sebastião. Enfim, o cenário existente hoje é de um conjunto arquitetônico de valor importantíssimo.
A Unesco é uma entidade pertencente às Nações Unidas voltada à Cultura, Ciência e Educação, sendo a responsável por designar os sítios históricos considerados Patrimônio Mundial, ou Patrimônio da Humanidade (os dois termos possuem o mesmo significado) nos aspectos de beleza natural e valor arquitetônico. Entre os brasileiros só há motivos de se orgulhar pela condição alcançada em Sergipe. Mas se é assim, por que Parati surgida no século 18 também não é elevada a Patrimônio da Humanidade?
Esta cidade no litoral fluminense, foi construída em torno de um porto onde era embarcado o ouro retirado das Minas Gerais. A cidade se manteve intocada após o final desse ciclo, sendo redescoberta pelos turistas cerca de 200 anos depois, quando se construiu a estrada federal Rio – Santos, na década de 1970, já no século 20. No nosso entender Parati também é merecedora da mesma honraria obtida pela Praça de São Francisco.
Fomos atrás de explicações e conversamos com Jurema Machado, coordenadora da Unesco no Brasil. Ela nos disse que são vários os critérios de avaliação para se escolher um sítio considerado Patrimônio Mundial ou da Humanidade. Uma das diferenças entre Parati e a Praça São Francisco, está no convívio integrado do antigo com o moderno para o conforto e bem estar da população. “Um exemplo é que São Cristóvão dispõe de saneamento básico e Parati não”, explicou.
São Cristóvão vinha pleiteando há muitos anos o título da Unesco. Em 2005 houve uma tentativa negada e somente após investimentos do governo federal de quase R$ 600 milhões, com a instalação de rede de esgoto e fiação elétrica subterrânea, entre outros benefícios, a Praça de São Francisco, com sua igreja e seu convento puderam ser aceitos.
Na opinião de Álvaro Bacelar, coordenador da Parati Convention Bureau, há também implicações de interesse político na destinação de recursos para obras de conservação do patrimônio histórico, “pois não se entende o fato de um lugar tão bem conservado como Parati estar de fora”, diz ele, ao lembrar que é considerado um dos mais aprazíveis do mundo, por turistas europeus que visitam a cidade o ano todo.
Vale ressaltar entretanto que Parati é um município tombado, mas somente em nível regional, através do Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional. Além de seu centro histórico, Parati possui cerca de 300 praias, centenas de cachoeiras e 65 ilhas ao seu redor e promove eventos interessantes o ano todo, sendo o último deles a 8ª.FLIP –Feira Lietrária Internacional de Parati.
País tem hoje 11 sítios tombados pela Unesco como Patrimônio Mundial Arquitetônico:
Conjunto Urbanístico de Ouro Preto - MG
Centro Histórico de Olinda - PE
Ruínas de São Miguel das Missões - RS
Santuário de Bom Jesus dos Matosinhos, em Congonhas – MG
Centro Histórico de Salvador, o Pelourinho da Bahia
Plano Piloto de Brasília – DF
Cavernas do Parque Nacional da Serra da Capivara - PI
Centro Histórico de São Luis - MA
Centro Histórico de Diamantina - MG
Centro Histórico da Cidade de Goiás - GO
Praça de São Francisco em São Cristóvão – SE
Existe 7 sítios considerados Patrimônio Mundial Natural
Parque Nacional do Iguaçu - PR
Costa do Descobrimento - BA e ES
Reservas da Mata Atlântica – SP e PR
Pantanal Matogrossense - MT e NS
Áreas protegidas do Cerrado desde Chapada dos Veadeiros até o Parque Nacional das Emas – GO
Ilhas Atlânticas Brasileiras: Fernando de Noronha e Atol das Rocas – PE e RN
Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central – AM
Antiga rodoviária dará lugar a centro cultural de Teatro e Dança
Sobrevoei no helicóptero da Rádio Eldorado a demolição da antiga Estação Rodoviária de São Paulo, localizada na Praça Júlio Prestes. Do alto se percebe o estado de decadência da Luz e Campos Elíseos
Devo esclarecer que nunca tive apego ou nostalgia por este antigo prédio de arquitetura kitsch, que serviu de terminal para os ônibus vindos de todas as partes do Brasil entre 1961 e 1982. Deste lugar me restaram apenas duas recordações: ali quando menino vi, pela primeira vez na minha vida, uma escada rolante e confesso que fiquei deslumbrado com os vitrais coloridos em uma época em que nem os aparelhos de televisão tinham cor. Aqueles losangos vermelhos, azuis e amarelos, presos em ferros entrelaçados, deslumbravam meus olhos inocentes e possivelmente também enchiam de ilusão, corações e mentes dos que aqui chegavam de ônibus tentando a sorte na cidade grande. Detalhes de um passado que se foi sem deixar saudade.
A velha “Rodoviária” chegou a receber 2.500 ônibus por dia, mas tornou-se obsoleta em suas operações, congestionando o centro e ocasionando dificuldades na saída e na chegada dos passageiros. Todo esse transtorno foi minimizado com a transferência dessas operações para o Terminal do Tietê.
No antigo terreno será construído o Complexo Cultural Luz, que irá abrigar o Palácio da Dança de São Paulo, obra orçada em R$ 600 milhões, com projeto do escritório suíço Herzog & De Meuron. Toda demolição deve estar finalizada em outubro, com as obras no local começando em janeiro de 2011 e a inauguração prevista para acontecer em 2014.
O projeto prevê a construção de três teatros, o maior com capacidade para 1.750 espectadores, e abrigará a sede da Companhia de Dança, gerida pela Secretaria de Estado da Cultura. Também haverá escola de dança, salas de ensaios, biblioteca, auditório, café, loja, praça de convivência e estacionamento para mil veículos.
Com a desativação da velha “rodoviária” a decadência do centro e de bairros como a Luz e Campos Elíseos se acelerou ainda mais. Até por isso, está valendo a pena demolir aquele trambolho, porque a nova construção faz parte de um plano para se recuperar toda aquela área.
Antes o que se via na região era o trânsito caótico, muitos assaltos, prostituição, tráfico de drogas e contrabando. Por este motivo, a decisão da prefeitura de investir em espaços culturais como forma de se revitalizar os Campos Elíseos, é algo auspicioso.
O prefeito Gilberto Kassab, também aposta em um projeto de concessão urbanística da Luz, para recuperar a região que se transformou na cracolândia e tais iniciativas devem possibilitar que novamente o lugar volte a ter boa frequência e quem sabe até surjam novas opções de moradia para esses bairros.
O mesmo prédio da antiga estação rodoviária abrigou até 2007 um shopping popular que também não deu certo. O edifício ficou então três anos fechado e agora vai embora sem mais nenhum encontro ou despedida. É uma viagem para nunca mais voltar, um adeus para sempre e sem saudade. Fotos Geraldo Nunes/ Cmte. Anderson
Cem anos de Adoniran continua vivo no trânsito e nas construções
Ver a Adoniran Barbosa depois de sua morte, é muito fácil. Basta circular por São Paulo para perceber que as letras de suas músicas continuam presentes no cotidiano.
É o caso de Saudosa Maloca, percebida diante de cada demolição ou alguma nova obra que surge... "Cada tauba que caía, doía no coração", diz a letra.
Há também aquela da noiva atropelada na avenida São João quando faltavam apenas quinze dias para seu casamento, Iracema.
Conheci este senhor que cantava as rudezas do cotidiano de maneira singela e até engraçada, em 1979, na redação da rádio Jovem Pan. E pensar que agora estamos lembrando os 100 anos de seu nascimento.
Por ter sido ator, o também compositor Adoniran Barbosa costumava visitar as emissoras e quando o vi, eu tinha exatamente 20 anos e fiz questão de me aproximar dele.
Já o conhecia dos programas de auditório da televisão, mas quis chegar perto para ter certeza se sua voz era mesmo rouca.
Na mesma hora ele me pegou pelo braço e pediu que lhe fizesse uma ligação telefônica, “é que me atrapalho com os números”, justificou. Ele era rouco de natureza mesmo.
Depois de algum tempo fiquei sabendo que após almoçar, em alguma cantina do Bexiga, Adoniran seguia depois para a Rádio Eldorado que naquele tempo, ficava na Rua Major Quedinho, no centro e ali o poeta descansava, chegando mesmo a dormir em um sofá colocado no corredor de entrada da emissora.
Este sofá hoje é relíquia e permanece conservado na atual sede da Eldorado, no bairro do Limão, tendo no alto uma placa com os dizeres: Sofá do Adoniran.
O produtor musical Zé Nogueira, que já trabalhava na emissora nessa época, conta que o compositor não só dormia como roncava.“Os funcionários já estavam acostumados com ele e até passavam de mansinho para não perturbá-lo”, explica.
Nogueira se lembra que os problemas começavam depois, quando o poeta acordava. “Então, era um tal de me pedir as coisas, primeiro cafezinho e depois cigarro. É que ele estava proibido pelos médicos e pela esposa Matilde de fumar, por causa de um efizema pulmonar. Então, só fumava escondido. Se comprasse teria que aparecer com o maço em casa e isto já era motivo de briga”, recorda.
Adoniran adorava passar trotes pelo telefone e ligava da Eldorado para a casa dos amigos. “Ele falava alguma asneira, desligava rapidamente o aparelho e depois ria pra valer”, diz.
Quando o relógio apontava seis da tarde, ele saia do prédio da Eldorado e ia para um restaurante ao lado, o Mutamba e lá ficava com os amigos no mais tardar até nove da noite conversando.
Depois ia para casa alegando que ainda era boêmio, mas em final de carreira. “Mesmo assim foi ali que ele compôs com o Carlinhos Vergueiro, uma de suas últimas canções: Torresmo à Milanesa”, completa o produtor musical e de programação da Eldorado, Zé Nogueira.
Adoniran Barbosa durante boa parte de sua carreira artística atuou como ator, por isso sabia ler e escrever muito bem, tinha boa caligrafia, mas fazia tipo, imitando em si mesmo, um personagem que interpretava no Rádio chamado Charutinho. "Pra escrevê uma boa letra de samba a gente tem que sê em primeiro lugá anarfabeto", brincava o poeta das coisas de São Paulo.
Em 1953 durante as gravações do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto, onde foi coadjuvante, Adoniran conheceu os integrantes do conjunto Demônios da Garoa e daquele encontro surgiu uma grande amizade.
Este grupo vocal e instrumental acabou dando forma ao “jeito de ser” dos sambas de Adoniran, gravando e fazendo os arranjos de seus principais sucessos. Tiro ao Álvaro, Joga a Chave, Samba do Arnesto, As Mariposas e a melhor de todas, Trem das Onze, campeã do carnaval de 1965.
“Não posso ficar, nem mais um minuto com você, sinto muito amor, mas não pode ser. Moro em Jaçanã se eu perder esse trem que sai agora, às 11 horas, só amanhã de manhã...”
Procuram-se árvores de cambuci em São Paulo
Cambuci é uma fruta cuja árvore é nativa da Mata Atlântica, tendo sido abundante, até o final do século 19, nas terras onde agora está o bairro paulistano que leva esse nome.
No passado os terrenos que hoje pertencem ao Cambuci, serviam de caminho para os tropeiros que vinham de Santos para São Paulo e vice-versa. O serviço de tropas em cavalos, ou sobre o dorso de mulas, era utilizado para o transporte de mercadorias provenientes da Europa que chegavam ao planalto de Piratininga, após um trajeto difícil e cheio de percalços pela Serra do Mar.
As estradas de ferro vieram resolver este problema, dinamizando as exportações de café e também o transporte de passageiros, trazendo o progresso que transformaria São Paulo nesta metrópole que conhecemos. O advento do trem, entretanto, colocou fim à atividade dos tropeiros, ficando desses homens, nenhum deles ilustre, somente histórias imaginárias de um passado distante. Conta-se, por exemplo, que em 1822, após proclamar a Independência do Brasil, no Ipiranga, o príncipe Dom Pedro seguiu pelas terras do Cambuci na direção do burgo paulistano. No caminho, festejado pelos convivas, lhe ofereceram uma bebida misturada a uma fruta de sabor azedo com um gosto especial. Dom Pedro, que não era de beber muito, provou um pouco da cachaça com cambuci para satisfazer o pedido de seus acompanhantes e houve quem dissesse que o príncipe teria gostado. De fato a pinga com cambuci foi muito famosa e além do que, antigamente, este fruto de casca parecida à do limão, mas com o umbigo de uma goiaba, tinha outras utilidades, servindo de cosmético líquido para hidratar a pele e desobstruir os poros.
O loteamento de antigas chácaras, no decorrer do século 20 fez com que todo o bairro que servia de rota aos tropeiros fosse desmatado e os pés de cambuci desapareceram por completo da paisagem urbana, a ponto de quase ninguém mais saber o significado do nome, nem como é a árvore que cresce em média, entre cinco e oito metros, ou mesmo o seu fruto. Entretanto, um grupo de moradores do Cambuci, está trazendo de volta essa árvore à sua antiga moradia. Um dos responsáveis pela redescoberta é o senhor João Batista Lazarini, de 80 anos, que conhece a planta ao vê-la de longe, porque na sua infância havia dessas árvores na região onde morava, o Bosque da Saúde, cujo nome é derivativo de um lugar com muita vegetação, onde as pessoas passeavam respirando ar puro.
Corria o ano de 1985 e em passagem pela cidade de Paraibuna – SP, seu João Lazarini obteve uma muda de cambuci retirada de uma estufa que a Cesp – Centrais Energéticas de São Paulo tinha montado para reflorestar uma área desmatada na construção de uma hidrelétrica. “Essa muda plantei em frente à casa onde eu morava, mas uma igreja que se tornou proprietária do imóvel vizinho ao meu, iniciou uma reforma que destruiu minha planta”, conta seu João. Tempos depois, conseguiu outras mudas com a família Batistini, conhecida, em São Bernardo do Campo, pela quantidade de terrenos que possui. Essas mudas foram sendo plantadas aleatoriamente, nos lugares que ia descobrindo, durante as caminhadas matinais ao lado da esposa Áurea.
João Batista Lazarini tem uma história de vida, repleta de muito trabalho. Primeiro foi pintor na Vasp – Viação Aérea São Paulo, em um tempo onde o Aeroporto de Congonhas operava apenas no visual e com uma pista de terra. Depois se transferiu para companhia Light & Power onde foi operador em um usina transformadora de eletricidade, hoje chamadas de substação.
Nos fins de semana, seu João, fazia “bicos” em residências, como eletricista e nessas andanças, fazendo instalações, conheceu o Sr. Rubens Venosa, dono de antigo um antigo cinema do Cambuci, o Cine Riviera, localizado na Avenida Lins de Vasconcelos, onde mais tarde se instalou uma igreja, cujo teto em janeiro de 2009, desabou sobre os fiéis. Graças ao incentivo do dono do cinema, seu João comprou uma casa neste bairro, na década de 1970 e permanece até hoje na região, só que agora morando em um apartamento.
No ano de 2008 moradores da mesma decidiram unir esforços para trazer de volta os pés de cambuci ao bairro de origem e seu João se engajou rapidamente, obtendo com seus companheiros o apoio da prefeitura que havia implantado no bairro, um projeto de ações sociais autossustentáveis, vinculado à Secretaria Municipal de Participação e Parceria. “Deste modo tudo se tornou mais fácil e agora as mudas de cambuci, estão sendo trazidas do Viveiro de Plantas Manequinho Lopes, no Ibirapuera e entregues a quem desejar”, informa seu João, acrescentando que a prefeitura exige de cada um, na retirada de uma muda, a assinatura de um termo de responsabilidade, garantindo que a aquela árvore será depois cuidada pela própria pessoa. É o que ele faz. Depois de plantar nos espaços existentes nas calçadas, conforme indicação da prefeitura, seu João retorna dias depois para ver como tudo está. Ás vezes tem surpresas desagradáveis. “Sabe como é, há muitos vândalos”, reclama, mas assegura que pelo menos dez árvores que ele plantou continuam vivas e produzindo frutos.
A temporada de colheita do cambuci, acontece entre março e maio. O pouco que é produzido pelas árvores plantadas nas ruas acaba sendo entregue a moradores do bairro, pois se descobriu que há pratos saborosos que levam cambuci na receita. Desde 2009 um restaurante na região oferece aos seus clientes nhoque, macarronada e doces à base da fruta. Até um circuito gastronômico que engloba restaurantes de mais seis cidades que trabalham com cambuci no cardápio, foi criado. Os municípios são os seguintes: Santo André, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Paraibuna, Natividade da Serra e Ilhabela, além de São Paulo.
Há informações da existência de exemplares de cambuci em Parelheiros e M’Boi Mirim, nos quintais de várias residências e até mesmo nos matagais. A Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente incumbiu às subprefeituras um cadastramento da planta que é protegida por ter entrado na lista daquelas em fase de extinção. “Tenho um amigo na Ilha do Bororé, zona sul, o Borba, que tem um pé de cambuci na casa dele. Vou dar um jeito de cadastrarem também”, avisa seu João Batista Lazarini, cheio de entusiasmo. Fotos Geraldo Nunes
A passagem de bonde até a Vila Mariana custava 50 centavos de réis
Antonio Jorge Maluf, mora no Campo Belo e aos 92 anos começa a escrever seu segundo livro de reminiscências. O primeiro foi lançado quando completou 90, mas nem tudo coube naquele volume, pois ele diz saber muito mais sobre a São Paulo antiga e são histórias que ninguém ainda publicou,viu?
Ele sim é exemplo de otimismo e vitalidade para todas as gerações. Se dependesse só dele, este senhor conhecido no bairro por Toninho Maluf, certamente estaria por aí circulando, visitando os amigos, mas por recomendação médica e dos filhos só faz passeios pela manhã e acompanhado, mas continua lúcido, sorridente e o mais importante, amável. Ficou viúvo ano passado depois de quase 60 anos de casamento com sua inesquecível Alice, que conheceu no bairro do Paraíso e, segundo ele, foi amor à primeira vista.
De infância pobre vivida em Santo Amaro, nos tempos em que o bairro era ainda um município independente da capital paulista, o menino Antonio desde cedo aprendeu que sem trabalho ninguém sobrevive, tanto que aos sete anos de idade, já saia de casa às cinco horas da manhã, para ajudar os pais comerciantes na entrega do leite de porta em porta. Este sacrifício serviu de preparo para fazer dele mais tarde um vendedor. Vendendo, aprendeu a negociar e administrando seus negócios se tornou tão bom que alguns amigos de juventude, passaram dar seus próprios negócios para ele administrar.
Como empreendedor, aterrou lagoas em Santo Amaro surgidas das obras de retificação do rio Pinheiros, algo difícil de se imaginar nos dias atuais. Esse trabalho, segundo ele, “era um serviço chato que ninguém queria fazer”. Desenvolvendo tarefas difíceis, ganhou dinheiro chegando a ser sócio de uma corretora de seguros e de uma empresa fabricante de máquinas. Nessa condição, os políticos se aproximaram dele e se tornou amigo e confidente de Getúlio Vargas, Jânio Quadros, Adhemar de Barros, Juarez Távora, além de empresários como Ricardo Jafet e Abrahão de Moraes. O ex-prefeito Paulo Maluf é um primo distante, mas que ele diz ter carregado no colo quando este era menino com cinco anos de idade.
Como empresário viajou pelo Brasil e certa vez indo à Bahia, o hidroavião onde estava sofreu uma pane e caiu no mar, mas Toninho Maluf escapou ileso. Depois subiu e desceu a correnteza do rio São Francisco num barco a vapor que transportava passageiros. Chegou também a visitar a região amazônica sem contrair a malária. Visitou o mundo e guarda consigo uma lembrança de cada país por onde passou.
Filho de um imigrante sírio – libanês, casado com uma brasileira, Antonio Jorge Maluf foi o rebento mais novo de uma família de 10 irmãos. É considerado hoje, um cronista do cotidiano que deixou registradas todas essas histórias em sua primeira obra cujo título gracioso é simplesmente: “90 anos, viu?” É que seu Toninho tem esse vício de linguagem, toda vez que conta um “causo”, complementa com a palavra: viu?
Para o novo livro ele pensa em relembrar seus trajetos de bonde, entre Santo Amaro e São Paulo. Antonio Jorge Maluf, escreve: “Andei de bonde pela primeira vez com quatro anos de idade. Me lembro, porque tomei uma mordida de cachorro e meu pai me levou de Santo Amaro a São Paulo para me vacinar, doeu muito. O bonde passou então a ser meu meio de transporte preferido. Não compensava usar ônibus por causa das estradas e ruas esburacadas. De bonde, eu ia de Santo Amaro ao Centro em 45 minutos, a passagem custava 50 centavos de réis até a Vila Mariana e 70 centavos até a Sé. A linha começava na Represa Guarapirnga, na Avenida De Pinedo, e terminava na Praça da Sé, com paradas no Brooklin, no Largo 13 e no Largo de São Sebastião. O primeiro partia às 5h30 e o último, à 0h30. Passava a cada 20 minutos e quem perdesse o último bonde, voltava para Santo Amaro caminhando pelos trilhos. Lembro de três desastres, um deles por causa da neblina... Eu viajei de bonde até o serviço ser extinto pelo prefeito José Vicente Faria Lima, em 1968, uma pena...”
Não vejo a hora do novo livro de Antonio Jorge Maluf ficar pronto. Será sensacional conhecer um pouco mais de suas histórias.
Lula promete copa verde e agora precisa cumprir
Depois de receber com sucesso a Copa do Mundo de 2010, a África do Sul já mira um novo grande desafio no esporte, organizar a Olimpíada de 2020
O Comitê Olímpico Sul-Africano oficializou nesta semana sua candidatura como país sede dos jogos olímpicos que vão acontecer daqui a dez anos, visto que os proponentes acreditam terem mostrado que conseguiram organizar uma Copa do Mundo com todo o requinte. A proposta foi apresentada dois dias depois do término da Copa 2010, onde a Espanha sagrou-se campeã mundial pela primeira vez.
Para o Brasil o desafio de organizar a Copa 2014 começou a partir do apito final do árbitro em Johanesburgo e a Fifa, organizadora dos grandes eventos do futebol, veio a público no dia seguinte, exortando que ainda falta tudo para que o nosso país seja de fato a próxima sede do mundial. Tal atitude causou irritação ao presidente Lula que retrucou dizendo que o Brasil não pode ser tratado dessa maneira, “como se fossemos um bando de idiotas”. Verdade é que precisamos construir e modernizar nossos estádios, nossas estradas, e todo o sistema de telecomunicações, além dos aeroportos. Temos também de ver se há mesmo capacidade suficiente de hotéis em todas as cidades-sedes.
Antes do incidente envolvendo a Fifa e o presidente Lula, a entidade maior do futebol, já havia anunciado que pretende montar um escritório no Brasil para fiscalizar e acompanhar os trabalhos de perto. Haja paciência! Mas vale lembrar ao nosso presidente que ao apresentar nossa candidatura para promover próximo mundial de futebol, ele comprometeu o governo e o povo a trabalhar para fazer, não só o melhor de todos os mundias, em termos de organização e conforto, mas também uma copa verde para ressaltar aquilo que temos de melhor: a natureza.
Com os problemas conhecidos que temos como o desmatamento da Amazônia, a ocupação irregular de terras, o lançamento de esgotos clandestinos nas represas, os rios poluídos e os lixões, como promover uma copa que ressalte o meio ambiente sem antes curar esses males? O desafio é portanto maior que simplesmente construir estádios para se jogar futebol. E o que pode significar uma copa verde para o povo? Entidades de proteção ambiental se mobilizam, mas ainda são pequenas as ações, na maioria apenas de conscientização.
Integrantes de uma Organização Não Governamental, chamada Vento em Popa começou a promover passeios em barcos a vela na Represa Billings. Nesses passeios os barcos levam consigo inscrições com frases que propõem formas de se evitar desperdícios, em especial de água, também uma riqueza natural de nosso país. Em cada mensagem um bordão alusivo ao futebol, exemplo: “Não pise na bola, economize água” ou “Não dê prorrogação ao tempo de seu banho”.
A ONG Vento em Popa defende a economia de água para se proteger a natureza e também divulgar nossa copa verde para 2014. O Sinaenco - Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia tem dado apoio a essas iniciativas, contemplando propostas para a construção de estádios ecologicamente corretos, cujos projetos prevêem modernas formas de drenagem nos gramados e processos de armazenamento de água da chuva para reuso, além de se abrir a possibilidade para a utilização de energia solar em diversas atividades dentro das praças esportivas.
Apesar da construção em concreto, tudo que está em volta de um estádio pode e deve ter um melhor tratamento, desde ruas limpas e arborizadas integrando a paisagem interna à externa. Da mesma forma o aprimoramento dos profissionais de turismo, especialmente em áreas urbanas como São Paulo ou Brasília é primordial para o receptivo dos turistas que aqui virão em 2014
A professora Clarissa Gagliardi, do curso de Turismo da PUC de São Paulo, defende que São Paulo com seus museus e sua gastronomia, além de Brasília com seu conjunto arquitetônico, terão muito a oferecer para os turistas que vierem assistir aos jogos, em termos de turismo urbano. “Entretanto a capital paulista, ainda carece de um melhor aspecto ambiental e de segurança para os que vierem assistir os jogos e aqui ficarem durante a copa”, explica a professora.
Como o tema é amplo, sobre todos esses assuntos passarei eu também a tratar, a partir de agora, com mais afinco não apenas nesta coluna, mas também nos programas que apresento na Rede Eldorado de Rádio.
A revolução dos paulistas ainda é lembrada todos os anos
Feriado em São Paulo em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932, um movimento armado promovido pelo Estado de São Paulo, entre 9 julho e 4 de outubro de 1932, que tinha por objetivo a derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil.
No total foram 87 dias de combates e um saldo de 934 mortos pelo lado paulista, embora estimativas não oficiais reportem até 2.200 mortos. São Paulo, depois da revolução de 1932, deixou de ter interventores escolhidos indiretamente pelo governo federal, passando a ter governadores paulistas por paulistas.
Participaram das solenidades comemorativas realizadas em frente ao Mausoléu ao Soldado Desconhecido e Obelisco do Ibirapuera, representantes do Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira e Marinha do Brasil, além da Polícia Militar em todas as suas divisões, como Polícia Rodoviária e Corpo de Bombeiros, além da Associação de ex-Combatentes de 1932, da FEB – Força Expedicionária Brasileira, Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU - SP, autoridades e entidades civis, além da GCM- Guarda Civil Metropolitana.
No evento, personalidades foram agraciadas com a Medalha Constitucionalista.
O que aconteceu no vestiário do Brasil no intervalo do jogo contra a Holanda?
Não sou de chorar sobre o leite derramado. Se o meu time ou mesmo a seleção perdem, tudo bem bola para frente.
Ocorre porém que cada vitória ou cada derrota tem uma história que precisa ser analisada para não se incorrer no mesmo erro.
Por exemplo, o jornalista Teixeira Heizer, do Rio de Janeiro, publicou recentemente o livro “Maracanazo”, que analisa em mais de 150 páginas, aquela derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa de 1950.
É um livro inteiro falando de um só jogo, ocorrido 60 anos atrás, na pior derrota da história do futebol brasileiro.
O texto explica que o que matou o Brasil naquele dia foi entre outras coisas, o excesso de confiança que na gíria do futebol também é chamado de “salto alto”.
Com relação à recente despedida de nossa seleção na África do Sul, a indagação é a seguinte: O que aconteceu no vestiário da seleção brasileira durante o intervalo?
Depois de um show de bola no primeiro tempo e do placar a nosso favor, o Brasil voltou errando muito e a Holanda cresceu, merecendo a vitória.
O que acontece nos bastidores de uma equipe de futebol?
Alguma coisa também aconteceu naquela véspera da final contra a França em 1998 e até hoje ninguém explicou nada de modo convincente.
Deve haver um relatório secreto sobre o que acontece com o Brasil nas copas e quem publicá-lo certamente ficará rico.
Outra coisa que eu gostaria de contar é que antes do jogo do Brasil com a Holanda, na última sexta-feira, circulei pela cidade e vi nas esquinas muitos vendedores de bandeiras, vuvuzelas e até jabulanis de plástico coloridas.
Era por volta de dez horas da manhã e já havia bares lotados com pessoas vestindo a camisa canarinho aguardando o início do jogo.
Tudo isso agora ficou na saudade e até no prejuízo para os camelôs e fabricantes de cerveja.
Na sexta-feira à noite voltei a circular pela cidade e os bares estavam vazios, mais parecendo final de domingo à noite.
Não vou ficar aqui tecendo meus comentários sobre a atuação dos jogadores ou à escalação do Dunga.
Para mim o importante de uma Copa do Mundo é o fato dela nos trazer alegria.
As famílias e os amigos se reúnem em alegres confraternizações que nos deixam tão satisfeitos quanto numa noite de Natal.
É como se Papai Noel vestisse chuteiras e calção. Tudo isso agora, só daqui a quatro anos em mais uma copa do mundo em solo pátrio.
Reflexões sobre as Copas do Mundo, ora bolas !
Reclama-se da qualidade das bolas usadas nos mundiais de futebol há cerca de 40 anos, desde que a Fifa padronizou o modelo a ser utilizado em todos os jogos, mas com a bola Jabulani, a polêmica foi além do esperado
O dia 30 de junho de 2002 já deveria constar nos livros do ensino fundamental como uma das datas mais importantes na história de nosso país. Em uma manhã fria de inverno, o Brasil sagrava-se pentacampeonato mundial de futebol após vencer a Alemanha por 2 a 0 no Estádio Internacional Yokohama- Japão. Trata-se de uma façanha inédita não alcançada por nenhuma outra seleção no mundo.
Nós brasileiros também ficamos mal acostumando vendo sempre o nosso time no topo da lista dos melhores e por isso há tantas críticas sobre nossa seleção nesta Copa 2010. Outra data importante: 21 de junho de 1970, quando o Brasil chegou ao tri em jornada memorável e inesquecível de nossa seleção, cujas imagens são exaustivamente repetidas nos programas e mais do que isso, digitalizadas e disponíveis a todos que visitam o Museu do Futebol, em São Paulo.
Efemérides assim merecem ser apresentadas como referência positiva do Brasil para os mais jovens, pois ensinam que a vitória, seja ela nos campos esportivos ou na vida, se conquista com empenho, dedicação e muito trabalho. Títulos mundiais não são fáceis de conquistar, alguns países comemoram o fato de terem participado de uma Copa do Mundo, como Honduras. Outros deixaram a competição felizes por terem marcado gols, como a Suíça. O Brasil é rico em grandes exemplos como as conquistas, de 1958 -62 e 94 que não podem ser esquecida e nem desrespeitadas. Quanto à atual seleção do técnico Dunga, esta também me parece briosa e dedicada, independente de onde venha a chegar.
Análises à parte, vale ressaltar que no contexto mundial, a Copa do Mundo de 1970 foi uma das mais importantes na história do futebol, não só pela entrega em definitivo da Taça Jules Rimet ao time que chegou primeiro a três títulos mundiais, mas por ter sido um divisor de águas na história da competição promovida pela Fifa desde 1930. Aquele campeonato disputado no México, foi o primeiro transmitido ao vivo pela TV para todas as partes do planeta e em cores para quem já dispunha dessa tecnologia.
A televisão colorida chegaria ao Brasil dois anos depois daquela copa. Na época do tri ainda se vivia a fase dos televisores valvulados e em preto e branco. Eles aqueciam a sala nos dias de frio e se tornavam insuportáveis dentro de casa no calor. Fora isso era necessário, vez por outra, regular a antena do aparelho, instalada irremediavelmente no telhado da residência. Nem por isso houve menor emoção.
A Copa 70 também foi a primeira onde os todos os jogadores da seleção brasileira, menos o goleiro Félix, reclamaram da qualidade da bola utilizada na disputa, considerada leve demais, em um tempo onde a “gorducha” ainda tinha câmara de borracha revestida por couro costurado, à qual chamávamos por “bola de capotão”.
O campeonato realizado no México, em 1970, marca também o início da profissionalização definitiva do esporte com o aparecimento de grifes nos uniformes e marcas inscritas nas bolas que passaram a ter tamanho e espessura idêntica. Naquele ano a bola deixou de ser marrom passando a ser branca com gomos costurados na cor preta e de lá para frente, em cada nova edição do mundial, a “dona do espetáculo” vinha com novidades.
No Dicionário Origem das Palavras, de Elazier Barbosa, publicado há um mês pela RG Editores, há informações sobre as bolas utilizadas nas copas desde 1970. A partir daquele ano elas passaram a receber nomes especiais. Por exemplo, a “redonda” cabeceada por Pelé no primeiro gol da partida final do Brasil contra a Itália, chamava-se Telstar Durlast, que significa Estrela da Televisão, nada mais sugestivo para aquele momento.
O sucesso daquela bola foi tão grande que a Fifa decidiu repetir o mesmo modelo no mundial da Alemanha em 1974. Quatro anos depois uma nova bola foi desenhada para a competição que aconteceu na Argentina, cujo nome foi Tango, que se repetiria no mundial seguinte, na Espanha de 1982.
A partir dali, percebeu-se que a cada ano a bola oficial poderia fazer alusão ao lugar da disputa e a nomenclatura passou a mudar em cada nova edição da Copa do Mundo. De novo no México a bola de 1986 chamou-se Azteca; 1990 Etrusco; 1994 Questra; 1998 Tricolore; 2002 Fevernova e para 2006 Teamgeist.
Nesta Copa 2010, disputada na África do Sul, o nome da “menina” foi largamente difundido: Jabulani, que significa “celebração” na língua Bantuísi-Zulu. O que não se esperava é que a tal Jabulani, fosse motivo para tantas reclamações que vieram de jogadores experientes de praticamente todas as seleções. Os atletas a consideram mais leve e mais mole que as bolas tradicionais. Nessas condições, a trajetória se modifica após o chute e análises feitas em um túnel de vento no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, comprovaram há fundamento nessas reclamações.
Como a “Jabu” de 2010 foi reprovada, certamente uma nova bola será escolhida para substituí-la, no mundial de 2014 que acontecerá no Brasil. As especulações quanto ao novo nome já começaram e alguns sugerem que lembremos a natureza, dando à nossa “gorduchinha” o nome de um pássaro como sabiá ou canário. Outros querem nomenclaturas que lembrem coisas de nossa terra como cachaça ou samba. E você, que nome daria à bola brasileira da Copa 2014?
Prefiro que se faça homenagem a jogadores como Pelé, Garrincha, Leônidas, ou Zico. A CBF – Confederação Brasileira de Futebol, bem que poderia promover um referendo nacional a esse respeito, com votação aberta pela internet. O que acham?
Michael Jackson lucrou US$ 1 bilhão desde seu falecimento e pode ser considerado o morto mais vivo da história
Rei do Pop morreu no dia 25 de junho do ano passado, aos 50 anos, após uma suposta overdose de medicamentos. A data, considerada como o dia mais triste da história da internet, agora gera lucros cada vez maiores a empresários e familiares do artista
Um matemático e um cientista do Centro Avançado de Computação na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, criaram um "sensor" para monitorar 2 milhões e 300 mil blogs existentes no mundo todo. O sensor reúne frases que começam com as palavras "eu me sinto" ou "eu estou". Cada frase captada, recebe uma pontuação de felicidade ou de tristeza.
Por isso 25 de junho de 2009, foi considerado o dia mais triste da história da internet. Nessa data o mundo todo manifestou tristeza pela morte do maior cantor - dançarino de todos os tempos. Mas na velocidade com que andam as informações, por força da internet, a televisão já exibirá neste fim de semana, para todo o Brasil, apenas um ano depois de ter entrado em cartaz, o filme documentário “This Is It” que trás os ensaios daquela que seria a última turnê anunciada pelo cantor para o final do ano passado.
O filme mostra um Michal Jackson tímido que se dirige às pessoas com gentilezas e pedidos de desculpas, mas quando começa o ensaio ele se transforma em um leão. A estréia mundial do filme, aliás, se deu há menos de um ano. Foi em 27 de outubro de 2009 e o trailer foi para a internet em duas versões e permanece como um dos mais visitados do youtube, o site internacional de imagens públicas.
Tudo isso está fazendo de Michael Jackson, o morto mais vivo do mundo. O espólio do cantor já lucrou mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,76 bilhão) desde sua morte, há um ano, segundo estimativas feitas pela revista especializada "Billboard". O site da BBC Brasil vai além e diz que as vendas dos discos de Michael Jackson geraram cerca de US$ 383 milhões, enquanto a renda com o filme "This Is It", agora na TV, chegou a quase US$ 400 milhões.
No site Uol foi publicado que um novo contrato para lançamentos de CDs e DVDs gerou US$ 31 milhões aos herdeiros do artista. O acordo com a gravadora Sony prevê o lançamento de dez álbuns do cantor nos próximos sete anos, incluindo material inédito dos ensaios de Michael Jackson que como se percebe continuará sendo notícia por ainda muito tempo, visto que a mãe dele prepara também uma biografia do filho.
Aqueles que acham difícil entender filmes em inglês, sem legenda, devem ficar cientes que neste país, graças à internet, cada vez mais pessoas estão aprendendo línguas estrangeiras sem ter que freqüentar cursos. Vale lembrar que no Brasil, não se fala apenas o português. Existem no país cerca 230 povos indígenas que pronunciam cerca de 180 línguas. Esses índios pintam o corpo e dançam para celebrar a perda de seus entes queridos. Os jovens de hoje parecem estar fazendo o mesmo.
Anac fecha helipontos e Kassab manda abrir os heliportos
A Anac – Agência Nacional de Aviação Civil determinou o fechamento de 16 helipontos na cidade de São Paulo para atender a uma lei municipal.
A legislação recentemente aprovada determina a proibição do funcionamento de helipontos durante a madrugada, determinando distância de 300 metros de escolas e hospitais, com ruído máximo de 95 decibéis. Maior parte dos pontos interditados fica em prédios comerciais da Avenida Luís Carlos Berrini e os empresários que se utilizam de helicópteros para fugir do trânsito já estão reclamando.
A cidade tem 272 helipontos homologados pela Anac, dos quais só 85 possuem licença do governo municipal para operar. Um exemplo de heliponto homologado é o de uma empresa nas proximidades da Avenida João Dias, em Santo Amaro, onde um helicóptero começa a circundá-lo para pousar.
As leis que regem o tráfego aéreo, assim como o terrestre, são de âmbito nacional, mas o prefeito Gilberto Kassab sancionou a lei dos helipontos, de autoria do vereador Chico Macena (PT), aprovada na Câmara Municipal de São Paulo. Como os vereadores nem sempre pensam muito sobre aquilo que decidem, Kassab admitiu até rever a lei, propondo em seguida, a liberação pelo menos de heliportos para operações 24 horas.
Existem emergências que precisam serem atendidas por helicópteros durante as madrugadas. Para isso é que existem os heliportos que são apenas dois na capital paulista, um no Jaguaré e outro no Campo de Marte.
Muita gente não sabe a diferença entre heliponto e heliporto. Os helipontos ficam na parte mais alta dos edifícios e para pleno uso precisam estar sinalizados e neles os helicópteros podem pousar somente para embarques ou desembarques e depois retomam o voo.
Alguns helipontos entram em desuso e perdem a homologação da Anac. Nesta foto acima vemos o topo do prédio onde funcionou a Itautec, na Avenida do Estado. A empresa mudou-se de lá e a plataforma para pousos e decolagens está abandonada.
Logo abaixo o que aparece é o prédio da Polícia Federal na Lapa, onde se pode pousar desde que autorizado pela direção do edifício e na presença de um bombeiro. Este procedimento é válido para todos os helipontos.
Com relação aos heliportos, estes funcionam em áreas térreas. Na sequência de fotos observe a nossa chegada heliporto do Campo de Marte.
Antes de iniciar o taxiamento até o hangar de pouso e reabastecimento, o piloto precisa tocar com a aeronave neste quadrado sinalizado.
Existem luzes ao redor do ponto de pouso para procedimentos noturnos.
A sinalização informa as direções de decolagem e o número avisa que naquele local podem pousar aeronaves pesando até quatro toneladas.
Para a Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero a decisão de se fechar 16 helipontos em São Paulo irá causar mais transtornos que benefícios. As operações ficarão restritas aos demais 256 helipontos que escaparam da penalização. A decisão ia aumentar o número de reclamações por parte dos moradores
Atualmente existem 550 helicópteros registrados na capital paulista. É a maior frota do mundo, superando inclusive Nova York que possui 445 aparelhos. Na cidade de São Paulo ocorrem diariamente cerca de 200 operações de pouso e decolagem envolvendo helicópteros. Todas as fotos são de minha autoria em sobrevoo ao lado do Comandante Anderson.
ANTIGAS FOTOS DE SETE QUEDAS REVELAM UM POUCO DA NATUREZA QUE O BRASIL PERDEU
O Salto de Sete Quedas era a maior cachoeira do mundo em volume de água, que desapareceu com a construção do lago da usina hidrelétrica de Itaipu.
No entanto resquícios dela reaparecem quando o nível de água da usina está baixo.
Quem me enviou essas fotos foi um ouvinte da Rádio Eldorado, Wanderley Duck, que é também um grande pesquisador de fatos interessantes que acontecem em várias partes do mundo.
Como pode um país ter desprezado patrimônio natural tão rico?
Apesar do nome, o Salto de Sete Quedas, era constituído por 19 cachoeiras principais, sendo agrupadas em sete quedas.
Recordistas mundiais em volume d'água, as Sete Quedas eram o principal atrativo turístico de Guaíra, cidade que, à época, chegou a ter 60 mil habitantes, rivalizando em importância com Foz do Iguaçu. Atualmente, a população desta cidade é inferior a 30 mil pessoas.
Vivia-se o regime militar e o presidente João Batista Figueiredo anunciou que nada poderia fazer por Sete Quedas, visto que a construção da hidrelétrica era mais importante.
O anúncio de destruição daquela paisagem levou milhares de turistas a Guaíra e em 17 de Janeiro de 1982, ocorre a queda de uma ponte utilizada para a travessia de turistas e 32 pessoas morreram.
A investigaçao apontou para uma dupla causa: primeiro, a falta de cuidado com a manutenção das pontes sob a presunção de que em breve as Sete Quedas seriam inundadas; e depois, o aumento descontrolado da visitação, pois todos queriam ver os saltos antes de seu desaparecimento para a formação do lago de Itaipu.
De acordo com levantamentos altimétricos a primeira ponte - a do Saltinho - ficava a 204 metros acima do nível do mar, o que significa que o lago formado pela represa de Itaipú, ao atingir sua cota que é de 220 metros acima do nível do mar, deixaria esta ponte sob 16 metros abaixo d'água.
Em 13 de outubro de 1982, o fechamento das comportas do Canal de Desvio de Itaipu começava a sepultar, com as águas barrentas do lago artificial, um dos maiores espetáculos da face da Terra: as Sete Quedas do Rio Paraná ou "Saltos del Guaíra".
"Sete Quedas por nós passaram,
E não soubemos, ah, não soubemos amá-las...
E todas sete foram mortas,
E todas sete somem no ar...
Sete fantasmas, sete crimes,
Dos vivos golpeando a vida,
Que nunca mais renascerá..."
(Carlos Drummond de Andrade)
Wanderley Duck pede para esclarecer que ele não é o autor das fotos, mas um amigo próximo que não revelou o nome. Vale o registro.
Interlagos e a F-1 possuem histórias parecidas
A Fórmula 1 completou 60 anos neste mês de maio, enquanto que o Autódromo de Interlagos fez 70. A pista brasileira hoje é elogiada pela maioria dos pilotos, mas foi preciso uma grande reforma em 1989 para trazer a principal categoria do automobilismo de volta à cidade de São Paulo
A admiração dos pilotos da F-1 atual se justifica, as antigas ondulações da pista, já não existem mais, mas as curvas continuam sendo feitas no braço. O asfalto foi recapeado na totalidade, mas a história do autódromo é bem mais antiga do que eles mesmos, porque Interlagos é o primeiro circuito fechado do Brasil, dedicado exclusivamente à corridas de automóveis. Antes dele a prova mais competitiva era o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, disputado todos os anos em um circuito de rua na Gávea, mas a competição vinha a cada ano, se tornando cada vez mais perigosa. Além disso uma prova de rua disputada em São Paulo, no ano de 1936, resultara em pessoas feridas e mortas. Nada mais seguro, portanto que uma pista dedicada exclusivamente ao automobilismo. Essas razões levaram a Companhia Auto-Estradas, do empresário Luiz Homero Sansom, a construír o autódromo em um terreno situado entre os lagos formados por duas represas, a Billings e a Guarapiranga, por isso o nome Interlagos.
O autódromo foi inaugurado a 12 de maio de 1940, com o 3º Grande Prêmio Cidade de São Paulo e uma corrida de motos. Cerca de 15 mil pessoas prestigiaram o evento que se deu em condições precárias para o público, pois ainda não havia lanchonete e nem sanitários. A primeira corrida foi vencida pelo piloto Arthur Nascimento Júnior, ao completar 25 voltas com um Alfa Romeo 3500cc seguido por Chico Landi, com Masserati 3000cc e Geraldo Avellar, com Alfa Romeo 2900cc, em terceiro.
Apesar de não ter vencido nesse dia, Chico Landi é o nome mais importante dos primórdios do automobilismo brasileiro. Ele foi o primeiro piloto do continente americano a vencer uma prova na Europa, antes do surgimento da F-1, e também protagonizou a primeira vitória oficial de uma escuderia, cujo próprio dono pediu sua contratação, a Ferrari. Além desses feitos, Chico Landi foi o primeiro piloto brasileiro a pontuar na F-1, durante o campeonato mundial de pilotos de 1952.
Sua equipe era formada por brasileiros e se chamava Bandeirantes. O veículo porém estrangeiro, uma Masserati A6GCM. O team brasileiro usava amarelo no carro com rodas verdes, porque as cores nacionais dos países de onde vinham as escuderias, era uma exigência da FIA.
O autódromo de Interlagos se tornou sede do GP do Brasil de F-1, a partir de 1972. Em 1977, passa a se chamar Autódromo José Carlos Pace, em homenagem ao piloto brasileiro que despontava como futuro campeão da F-1, mas que perde a vida em um acidente aéreo na Serra da Cantareira, logo após decolagem no Campo de Marte. Entretanto o bairro que se formou em torno do autódromo, passou a se chamar Interlagos, garantindo a tradição do nome.
No ano 1978, o GP Brasil é transferido para o autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e Interlagos fica praticamente abandonado. Para ter de volta a principal categoria do automobilismo, a prefeitura precisou reformar o autódromo, numa decisão muito discutida na época entre a prefeita da cidade, Luiza Erundina e a Câmara Municipal.
O traçado foi então diminuído para se enquadrar às novas exigências da FIA, e a prova retornou a partir de 1990. Desde então, São Paulo é sede do GP do Brasil todos os anos, sendo a pista paulistana palco da decisão dos últimos cinco títulos mundiais da categoria.
Você aceitaria levar para casa uma coleção de três mil vozes?

Há exatos 20 anos, o jornalista Luiz Ernesto Kawall, abria sua coleção particular a quem quisesse ouvir gravações históricas contendo depoimentos nas vozes de personalidades do mundo político, empresarial e cultural. Surgia a Vídeo Vozoteca LEK, cujas iniciais formam o nome de seu proprietário
A festa de apresentação deste acervo raro, aconteceu numa manhã de sábado, na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, em frente ao prédio onde mora o colecionador. No evento compareceram Leônidas da Silva, antigo jogador de futebol e Nicolau Tuma, locutor esportivo do passado, cujo slogan era speaker metralhadora. O assunto naquele dia era o início da Copa do Mundo de 1990 e Leônidas, que chegou a ser comentarista esportivo ao encerrar a carreira, reclamou da violência nos gramados, dizendo que já não se jogava mais futebol, como no seu tempo.
Essa entrevista do Diamante Negro, consta do acervo criado por Kawall, juntamente com outros três mil registros gravados nas vozes de personalidades como Winston Churchill, De Gaulle, John Kennedy, Marlene Dietrich, Marechal Cândido Rondon, Rui Barbosa, Santos Dumont, Washington Luiz e tantos outros, arquivados em long-play, fitas cassete, CDs e DVDs.
A coleção teve início na década de 1950, por influência de Carlos Lacerda, com quem Kawall trabalhou no jornal Tribuna da Imprensa. “Comecei colecionando os discursos de Lacerda e depois passei a guardar outros depoimentos, entrevistas, programas interessantes de rádio e televisão, narrações esportivas e até alguns trechos de filmes de cinema”, explica o jornalista que se orgulha de ter feito com exclusividade, uma entrevista com o presidente dos Estados Unidos. Dwight Eisenhouer, visitou o Brasil em 1960, logo após a inauguração de Brasília e foi recebido por Juscelino Kubstcheck naquela que foi a primeira visita de uma autoridade estrangeira à nova capital federal. “Furei a segurança e conversei com o presidente norte-americano”, gaba-se, para em seguida apresentar as fotos cedida para esta reportagem do Jornal Empresas & Negócios.
Agora entretanto, depois de completar 80 anos de idade, Luiz Ernesto Kawall tem demonstrado preocupação com o futuro de sua vozoteca, pois não há interesse de filhos ou parentes mais próximos em manter o acervo. Entidades voltadas à preservação do patrimônio histórico também se mostram renitentes. A Discoteca Genésio Moura, do Centro Cultural São Paulo, por exemplo, pertencente à prefeitura, aceita ficar com uma parte da coleção de discos, mas quer descartar aquilo que houver em duplicidade. Tal condição, entretanto, não agrada o proprietário: “Entendo que nada deva ser descartado, pois são gravações raras que precisam sim, serem digitalizadas”, avisa.
A Fundação Moreira Salles também demonstrou interesse na coleção, mas há problemas na passagem para o processo digital, porque é preciso antes se negociar direitos autorais com gravadoras e editoras. “Tais empecilhos estão dificultando a doação do acervo que todos reconhecem, é de um valor inestimável”, lamenta Luiz Ernesto Kawall que se mantém saudável e bem disposto, sempre atento em arquivar novos depoimentos para a sua vozoteca que não para de crescer. Você aceitaria levar esta coleção para sua casa?
Pacaembu 70 anos de lembranças

O Estádio Municipal da coletividade paulistana foi inaugurado a 27 de abril de 1940, em uma cerimônia que teve desfile dos principais clubes da cidade.
“Foi inesquecível para quem viu”, conta Luiz Ernesto Kawall que residia no bairro onde se encontra o estádio e que lá foi levado pelos pais quando tinha 10 anos de idade. “O presidente Getúlio Vargas compareceu à inauguração e como havia acontecido a Revolução de 1932, o povo estava ressentido com ele. Quando a delegação do São Paulo Futebol Clube entrou em campo, os aplausos foram mais expressivos”, lembra Kawall, acreditando que pelo fato deste clube, ter o nome do Estado que se levantou em armas por uma constituição, o público presente aplaudiu com mais entusiasmo expressando ao presidente seu repúdio.
Kawall, que é jornalista, coleciona gravações raras em sua casa, como a de um gol de bicicleta de Leônidas da Silva, marcado no Pacaembu em uma vitória do São Paulo, em 1942. “No dia seguinte ao desfile, Thomaz Mazzoni em A Gazeta, se referiu aos aplausos para o tricolor e o chamou de O Mais querido”, recorda.
No dia seguinte ao da inauguração, 28 de abril de 1940, aconteceram as primeiras partidas de futebol, com uma rodada dupla. O Palestra Itália (hoje Palmeiras) contra o Coritiba e Corinthians versus Clube Atlético Mineiro, com vitórias dos times paulistas. “Foi o primeiro estádio do Brasil a ter cabines para as transmissões de rádio e televisão”, no disse certa vez o antigo narrador esportivo, Nicolau Tuma.
O projeto do estádio do Pacaembu, foi feito pelo Escritório Técnico F. P. Ramos de Azevedo - Severo & Villares e Cia. “Este talvez seja o único estádio do mundo construído na topografia de um vale”, explica Leonel Kaz, curador do Museu do Futebol que hoje funciona nas dependências do Pacaembu.
Inaugurado em 2008, o museu segue padrões modernos de estética e multimídia, resgatando a história do esporte bretão, desde a chegada de Charles Miller ao Porto de Santos com as primeiras bolas para a prática do futebol no Brasil, em 1894.
Possuindo originalmente uma concha acústica e capacidade para mais de 30 mil pessoas. A concha, que por muitos anos foi o marco arquitetônico do estádio, recebendo inúmeros shows e concertos, deu lugar, em 1970 a um novo trecho de arquibancadas, o famoso Tobogã, aumentando a capacidade de público para 50 mil pessoas, embora hoje, por questões de segurança, não seja permitida a lotação completa das dependências. De acordo com os dados da CBF, o Pacaembu conta hoje com capacidade máxima para 40.199 pessoas.
Na Copa do Mundo do Brasil, em 1950, o estádio recebeu seis partidas, incluindo uma da seleção brasileira. Já nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, em 1963, foram realizadas as partidas de futebol e as provas de atletismo no local, além das cerimônias de abertura e encerramento
O nome Paulo Machado de Carvalho é uma homenagem ao chamado “Marechal da Vitória”, que foi chefe da delegação brasileira das Copas do Mundo de 1958 e 1962, vice-presidente do São Paulo Futebol Clube e da Federação Paulista de Futebol.
Atualmente, o estádio recebe quase todas as partidas do Corinthians, mas, eventualmente, outros times da cidade e do estado realizam suas partidas no local, como o Santos que poderá alcançar mais um título paulista, em 2010, jogando no Pacaembu.
Além disso, essa praça esportiva é tradicionalmente a sede da partida final da Copa São Paulo de Futebol Junior, que acontece todos os anos no aniversário da cidade, dia 25 de janeiro.
Para a população, o estádio possui a infra-estrutura de um clube público, mas para a prefeitura tornou-se deficitário. Por isso discute-se uma possível privatização do Pacaembu, onde o Corinthians se apresenta como virtual comprador. Mas o projeto, entretanto, nunca sai do papel talvez pelo fato do Estádio do Pacaembu fazer parte do patrimônio sentimental de todo o povo e de todas as torcidas.
Obras ajudam resgatar parte da história recente de São Paulo
Durante restauro da Ponte Presidente Jânio Quadros, em outubro de 2009, britadeiras esbarraram nos trilhos de bonde da linha 34 que ligava a Vila Maria com o centro da cidade. Engenheiros sabiam da existência da antiga linha, mas não imaginavam que ainda restassem ferragens ali.
Durante restauro da Ponte Presidente Jânio Quadros, em outubro de 2009, britadeiras esbarraram nos trilhos de bonde da linha 34 que ligava a Vila Maria com o centro da cidade. Engenheiros sabiam da existência da antiga linha, mas não imaginavam que ainda restassem ferragens ali.
A antiga Praça Clóvis Beviláqua era o mais importante terminal de passageiros da cidade de São Paulo. Ela servia de ponto final para algumas linhas de bonde e também aos ônibus que ali chegavam dos bairros mais distantes. No caso dos bondes elétricos, as linhas 7 e 34 e 24 saiam de um canto da Praça Clóvis e seguiam para a Penha, Vila Maria e Belém, descendo a Avenida Rangel Pestana e atravessando o Brás. Interessante é que dali também saia linhas de ônibus na direção dos mesmos bairros servidos pelos bondes cuja tarifa era mais barata. Os ônibus porém, movidos a óleo diesel, eram mais velozes e os bondes, pouco a pouco, foram sendo liquidados em nome da agilidade do progresso.
A linha 34 – Vila Maria foi uma das primeiras a serem extintas, em um processo iniciado em 1966 e concluído dois anos depois pelo então prefeito Faria Lima, que tinha por meta retirar os trilhos da superfície das ruas e colocá-los embaixo da terra na forma do Metrô que hoje conhecemos. O bonde da Vila Maria era o mais problemático, porque quando saía da Avenida Celso Garcia para descer a Rua Catumbi, os trilhos de duplo sentido se tornavam de mão única e assim quem viesse primeiro tinha que acionar um sinal vermelho, para que o bonde em sentido contrário aguardasse. De vez em quando, algum motorneiro esquecia de acionar o sinal e os bondes davam de cara um com o outro. Para permitir que se continuasse o trajeto, um dos dois tinha que dar marcha ré e as discussões entre os motorneiros, geralmente portugueses, eram homéricas. Os passageiros também ficavam loucos da vida por terem que aguardar a solução dos impasses e a culpa acabava ficando sempre com o velho bonde que cada vez mais deficitário, acabou dando adeus para nunca mais voltar.
A Praça Clóvis Beviláqua também já não existe, acabou abraçada pela Sé, após as obras do Metrô e os ônibus migraram para o Parque Dom Pedro II. Para os saudosistas restam os trólebus e uma linha turística de bonde que circula nos finais de semana no quarteirão da Rua Visconde de Parnaíba onde fica o Memorial do Imigrante. Mesmo assim o veículo utilizado não é nenhum daqueles que servia ao paulistano do passado porque se trata de um bonde de Santos, importado para nós. Apesar dos trilhos, este bonde não consome eletricidade visto que seu motor é movido à gasolina. Do bonde camarão, da São Paulo de antigamente, ficou apenas um exemplar no Museu da SPTrans e alguns outros esparramados nas lembranças mais remotas daqueles que hoje precisam ter obrigatoriamente mais de cinqüenta anos. Foto www.ancora.adm.br/casa_verde/foto11.gif
Os 88 anos da Semana de 22








