Escrito por Célio Pezza
Amuletos e talismãs
Quem de nós nunca ouviu dizer algo sobre um amuleto ou um talismã? Quem de nós nunca conheceu alguém que tenha um destes objetos? Você tem um? Você acredita neles? Você sabe a diferença entre eles? Um amuleto é utilizado para afastar o mal e proteger o seu usuário e normalmente é algo natural. Já um talismã é utilizado para atrair influências boas para quem o usa e é algo preparado e consagrado dentro de uma seita qualquer.
Desde os primórdios da História, o ser humano procura se defender através do uso de amuletos e talismãs. Encontramos no homem primitivo o uso de garras, dentes e peles de animais, seguidos de pedras pontiagudas, conchas, anéis, etc.. Existiram tribos indígenas que usavam dentes ou dedos de seus inimigos para proteção ou para intimidar seus desafetos. Os egípcios, os romanos, enfim todos os povos recorriam a esta prática de proteção. Na Europa, durante a idade média, usava-se deixar em um local da casa um prego usado em caixão de defunto para afastar a má sorte. Ainda hoje, quantas casas não possuem uma ferradura como símbolo da boa sorte? Existem regiões da Europa em que colocam colares nos chifres das vacas para afastar os perigos. Será que dentro de nossas carteiras não existe nenhum amuleto ou talismã? Círculos, quadrados, triângulos, cruzes, estrelas, luas, números, moedas, notas antigas, dentes de animais, sementes, imagens de santos, escaravelhos, conchas e muitos outros. Pedras, metais desde o latão mais barato até o ouro mais nobre, tudo é utilizado para fazer um amuleto ou talismã.
Já os animais, coitados, estes não usam amuletos ou talismãs. Quem já viu um cachorro do mato carregando um amuleto? Ou um pássaro com um pequeno colar para atrair a boa sorte? Será que tudo isto é privilégio do Homem, que com sua inteligência e pretensa supremacia, sabe como criar proteções e artefatos para atrair a boa sorte? Será que o ser humano possui determinadas crenças e, por conta delas, tem medos? Esta conversa pode até derivar para questões filosóficas profundas, portanto, vamos voltar ao uso dos tais objetos.
Existem também os objetos sagrados, relíquias dos santos e mártires, etc.. Na verdade, tudo isto remete para um ponto em comum que é ter fé. Se você realmente acredita que determinado objeto vai trazer boa sorte, talvez ele realmente o traga, não por ele em si, mas pela sua fé.
Da mesma forma, não adianta carregar o talismã mais poderoso do planeta, se não acreditarmos na sua eficácia, ou seja, se não tivermos fé!
Muitos já ouviram dizer que "a fé remove montanhas", mas será que remove mesmo? Quantos acreditam de verdade? Muitos dirão que é impossível, que é um jogo de palavras, que é sentido figurado, etc... Por outro lado, talvez estes mesmos que pensam desta forma, estejam usando amuletos e talismãs neste exato momento.
Usá-los para que? Sem fé, sem acreditar, para que servirão? Servirão somente como um adorno qualquer. Por outro lado, com bastante fé, será que precisamos de amuletos e talismãs? Estamos falando tudo isto e dando uma volta tremenda para simplesmente dizer que um dos grandes problemas do ser humano é simplesmente falta de crença e de fé! Acreditamos no próximo? Acreditamos nos nossos governantes? Acreditamos nos discursos dos candidatos a qualquer cargo eletivo? Acreditamos em todas as notícias que diariamente nos chegam pelos mais diversos meios de comunicação? Acreditamos no que vemos na televisão? O lado ruim disto tudo é que esta crise de falta de credibilidade nos conduz a uma diminuição gradativa da nossa fé.
Acreditamos em pouca coisa e desconfiamos de tudo e de todos!
A nossa crença está muito abalada e as mentiras ganham terreno dia a dia. Começamos a nos acostumar com pequenas mentiras e elas vão aumentando em tamanho e quantidade. Elas se alastram como uma verdadeira praga e vão diminuindo a nossa fé. Vamos aos poucos, perdendo esta força terrível, que talvez seja a única que pode realmente mudar o curso das coisas. Acreditamos em nós mesmos? Se nem acreditamos em nós mesmos, como resolver esta questão?
Durante o lançamento do meu primeiro livro, escrevi uma simples mensagem: "Um mundo melhor é possível!" Quantos acreditam nisto? Será uma bobagem, uma utopia, uma simples frase de efeito momentâneo sem nenhum significado? Escuto todos os dias alguém dizer que o mundo está ruim, que está pior do que no passado e que o futuro será terrível. Será certo deixar piorar e esperar pela ajuda divina? Neste caso, realmente precisaremos de algumas dezenas de amuletos e talismãs, para nos proteger de nós mesmos!
Vamos acreditar que é possível um mundo melhor! Vamos trabalhar para isto! Como? Cada um de nós encontrará a sua forma. Criando uma aura de otimismo a nossa volta, fazendo pequenas ações que muitas vezes passam despercebidas e, principalmente, evitando fazer o mal a quem quer que seja! A regra é simples: se não puder fazer o bem, pelo menos não faça o mal.
Acredito que alguns leitores irão parar um instante e pensar um pouco sobre estas considerações; também pode acontecer que alguns sintam uma vontade tremenda de fazer algo para tomar parte nesta mudança. Estes terão mais fé e acharão uma forma de transformar o mundo, mesmo que seja só ao seu lado e serão mais felizes, mesmo sem usar amuletos e talismãs!
Missas pagas?!
Neste mês de Setembro de 2010, entre os dias 16 e 19, o Papa Bento XVI vai estar na Grã-Bretanha, onde rezará algumas missas. Até aí, tudo bem. O que nos causou espanto foi o fato de que os fiéis terão que pagar para assistir as missas! Isto mesmo. A mais barata será uma missa campal realizada no Hyde Park (um parque ao ar livre de Londres) e o ingresso custará 5 libras (R$14,00). Em Glasgow na Escócia custará 20 libras (R$ 55,00) e a mais cara será em Birmingham, no centro da Inglaterra ao preço de 25 libras (R$ 70,00).
O Vaticano diz que é “uma simples contribuição para as despesas gerais” e quando foi questionado pelos próprios padres de inúmeros países, preferiu o silêncio.
É estranho, pois numa época em que a Igreja Católica perde mais e mais adeptos a cada ano, uma medida descabida destas fatalmente afastará ainda mais aqueles que pensarem sobre o assunto.
Esta medida descabida nos faz voltar aos primórdios da igreja católica, quando no ano de 593, o papa Gregório criou a doutrina do purgatório e criaram missas pagas para aliviar o sofrimento das almas que lá estavam. Por volta de 1.150 criaram as “indulgências” com o fim de reduzir o tempo no purgatório. Naquela época começaram a vender relíquias entre elas “pedacinhos da cruz de Cristo”. O dominicano João Tetzel ficou famoso por negociar documentos de indulgências da Igreja, alguns deles dando o direito antecipado de pecar. Em 1410 o papa João XXIII (não confundir com o papa João XXIII mais recente) cobrava impostos dos prostíbulos, os quais faziam parte do orçamento do Vaticano.
O papa Leão X continuou com as “indulgências” e em 1518 utilizou cofres nas igrejas com os dizeres absurdos tais como: “Ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma desprega do purgatório e voa para o paraíso”!
Quanto às finanças atuais, em Julho o Jornal do Vaticano divulgou algumas cifras referentes ao balanço de 2009:
Receitas de 2009 = 250 milhões de euros (R$ 570 milhões)
Despesas de 2009 = 254 milhões de euros (R$ 580milhões)
Receitas do Óbulo de São Pedro (donativos destinados ao papa) = 65 milhões de euros (R$ 150 milhões)
Receitas das dioceses = 25 milhões de euros (R$ 57 milhões)
Embora não se tenha o número certo, estima-se que o patrimônio da Santa Sé é acima de 15 bilhões de euros (35 bilhões de reais) entre investimentos em bancos, seguros, participações em empresas de produtos químicos, aço, construção civil, imóveis e obras de arte. Além destes investimentos, existem todas as terras por todo o mundo, das quais não temos os valores.
Estes números mostram que não seria necessário cobrar ingresso para as missas do Reino Unido e imagino que qualquer cristão, independente de ser ou não católico, irá questionar esta decisão.
A Igreja perde seus fiéis a cada ano e passa por uma forte crise moral, com recentes escândalos de pedofilia por todo o mundo e tendo que pagar pesadas indenizações e ações judiciais. Neste cenário conturbado imagino que a celebração de missas pelo papa seria um bom momento de ganhar adeptos e não de aumentar a distância entre os fiéis e a Igreja. Pagamos ingressos para shows, onde se remunera o artista, mas acho que não deveria ser o caso. Espero que, até o dia destas missas, uma luz ilumine os mandatários políticos da Santa Sé e cancelem o pagamento de ingressos, para o bem daqueles poucos que acreditam e gostariam de estar perto do papa durante uma missa e não tem dinheiro para pagar por este privilegio.
Receita da ONU contra a Fome
- Comer insetos -
Em Fevereiro de 2010 falamos sobre a Fome no mundo e mostramos que de acordo com a FAO (Food and Agricultural Organization) órgão das Nações Unidas, tivemos em 2009, mais de um bilhão de pessoas no mundo passando fome. Esta sem dúvida é a maior vergonha para o planeta. Também de acordo com a ONU e a UNICEF, temos entre 9-10 milhões de pessoas que morrem de FOME por ano, sendo a principal causa de mortalidade no mundo. Vamos reproduzir o quadro já publicado para lembrar nossos leitores sobre esta vergonha do nosso mundo.
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Causa de mortes
no mundo
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Mortes
por ano
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Mortes por dia
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Mortes
por hora
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FOME
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9-10 milhões
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26.000
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1.100
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A fome é como uma doença que afeta uma classe bem definida: aquela que não tem o mínimo recurso para pagar pela comida! Ela não afeta todas as classes da sociedade e nem todos os países.
Continuando, a ONU e a FAO divulgaram recentemente, um documento incentivando a população ao consumo de insetos, pois além de altamente nutritivos, ainda vão colaborar com a melhoria das colheitas, já que grande parte é perdida pelos insetos. Este documento de autoria do professor Arnold van Huis, da Universidade da Holanda e consultor da FAO e da ONU, diz que comer insetos tem muitas vantagens como o alto nível de proteínas e vitaminas. Diz ainda que existem muitos países onde já se comem insetos sem nenhum preconceito. Vai além e compara com a gastronomia de países ricos onde se come camarão em restaurantes finos, o que, na sua visão, nada mais é do que um tipo de inseto. Diz que no futuro não haverá carne para todos e a saída é disseminar o consumo de insetos, prática atualmente comum entre os que não têm o que comer. O problema na essência é a falta de condição mínima para comprar comida, seja carne de frango ou de verme. Isto hoje já é desta forma, ou seja, países paupérrimos comem insetos porque não tem condições de obter coisa melhor. O problema é que esta miséria institucionalizada é aceita e, portanto, vamos fazer fazendas de vermes para os que não têm condições de pagar por um alimento melhor. Não questiono o valor nutricional dos insetos ou a intenção de dar um alimento para quem nada tem, mas o princípio da desigualdade. Sei também que sempre foi assim, mas não concordo que tenha que ser desta forma no futuro. Algo tem que mudar neste mundo! Temos que acabar com a miséria e não criar mecanismos para perpetuá-la. Eu não consigo imaginar um futuro com carnes nobres para os ricos e insetos para os pobres, apesar de saber que hoje é desta forma.
Este estudo também propõe a criação de “fazendas de criação de insetos” para o consumo humano nos países pobres e sugere que se vá adicionando pouco a pouco os insetos misturados com carnes de frango ou outras, para criar o hábito e abaixar o custo das refeições. São citados alguns locais onde já se comem insetos, como um exemplo para o mundo:
Tailândia – formigas e besouros
Colômbia – formigas fritas
Nova Guiné – sagu de larvas
África – cupins e vermes de todos os tipos
Japão – larvas diversas
México – minhocas e gafanhotos fritos
Cambodja – aranhas tarântulas empanadas e fritas
África do Sul – mingau de gafanhotos
Já nos EUA, Europa e países ricos, comem-se camarões!
Vejo que o problema essencial é a miséria e o tremendo desnível econômico entre os homens, que faz com que alguns tenham que se alimentar de insetos por não ter condições de comer algo melhor. Neste momento sinto muito nojo! Não dos insetos, mas sim dos homens que dirigem o mundo, convivem com estas desigualdades e se preocupam com sua perpetuação.
Vampiros e alquimistas
Vampiros! Quem nunca ouviu falar nestes seres estranhos que povoam as lendas de todo o mundo? Nunca saberemos ao certo se realmente existiram em algum local do passado ou se foram lendas que sobreviveram aos séculos. O que constatamos é que certos mitos tem o poder de atravessar fronteiras inimagináveis sem mudar a sua forma primitiva. O vampiro, tendo existido ou não, tem este poder! Ele não se modificou, não desapareceu nas cinzas do tempo e chegou até nossos dias. Ele sobreviveu às santas cruzadas e às fogueiras da inquisição. Ele passou por duas guerras mundiais, e caso aconteça uma terceira, ele é um sério candidato a ser um sobrevivente. Ele passou por tudo isto e pode ser encontrado hoje na Internet e em inúmeros filmes de sucesso da mesma forma que era visto nas antigas carruagens da Transilvânia.
O que tem este ser de tão extraordinário, para cativar o nosso pensamento? Será ele o elo perdido entre o homem mortal e o imortal? Será a ânsia do homem em voltar um dia a ter algo que sente ter perdido ao longo de sua existência?
Vampiro! Ser enigmático que pode representar o verdadeiro mal para muitos, mas que traz dentro de si o dom da imortalidade e do poder que a humanidade tanto busca.
E os antigos alquimistas? Estes enigmáticos estudiosos precursores da Química passaram a vida procurando o elixir da imortalidade e a pedra filosofal que teria o poder de transformar tudo no mais puro ouro. Na verdade, o que buscavam realmente era a sua transmutação pessoal e, com ela, a imortalidade e uma forma de deixar de lado a condição de pobres humanos, cheios de fraquezas e doenças. Eles buscavam o poder.
Vemos ao longo da História o mito do vampiro, o famoso imortal amaldiçoado e o alquimista, pobre mortal obstinado a desvendar o código da imortalidade. Na verdade, um busca o que o outro já possui e nesta busca, nenhum deles é feliz!
No fundo, os vampiros e os alquimistas talvez tenham tido algo em comum. Talvez a mesma chave que abre as portas para a imortalidade, também deixe à solta uma maldição. Talvez o preço a ser pago pelo milagroso elixir da vida eterna seja alto demais e, quem sabe, os vampiros já tivessem sentido seu sabor.
Os séculos se passaram e ambos desapareceram ou se esconderam dos simples mortais.
Vejam quanta poesia nesta questão! Alguns poucos imortais, carregando uma maldição, temidos e odiados pela grande maioria dos seres comuns e outros poucos mortais, na busca desesperada da chave mágica para o elixir da longa vida!
Vampiros e alquimistas! Será que ainda existem? Supondo que sim, onde estarão? Estarão misturados nas multidões das grandes cidades ou morando normalmente ao nosso lado? Estarão perdidos em suas buscas, recordações e alheios a tudo? Estarão simplesmente assistindo aos nossos dramas e aguardando?
Vampiros e alquimistas! Terão um dia se encontrado? Se um dia qualquer aconteceu este encontro, podemos imaginar um diálogo entre eles:
─ Vampiro! Você tem aquilo que eu tanto busco! Por outros caminhos, por maldições, não importa! Você a tem! Diga-me, qual é a senha para abrir esta porta?
─ Para que você a quer, Alquimista? O que pensa fazer com ela, caso a encontre? Eu a tenho e não sou feliz! Eu vivo buscando a paz, mas ela não me é concedida. Talvez em outra época, outro mundo, a imortalidade seja uma benção, mas hoje eu ainda sou muito humano para possuí-la, entendê-la e carregá-la! Eu sou um infeliz, apesar de imortal e poderoso! Eu busco a paz da morte e a benção do esquecimento. Busque outras coisas, busque viver melhor, busque a felicidade, não importa se por pouco tempo! A imortalidade com doenças, inimizades, desigualdades e fome ao seu lado é um castigo! Todo meu poder é o verdadeiro inferno, acredite! Eu sei do que falo Alquimista! Viva! Viva bem, intensamente e descanse quando chegar a hora.
O Alquimista pensou longamente antes de responder:
─ Você tem razão! Eu nunca tinha pensado desta forma! Começo a ver por outros olhos e de uma forma diferente. Eu estava enganado e você me mostrou o erro! Você me abriu as portas para a verdadeira busca! Agradeço suas palavras e espero que encontre a felicidade um dia, meu amigo!
─ Assim seja, Alquimista! Que possamos nos encontrar novamente em alguma outra vida, outro mundo, quem sabe? Adeus, Alquimista! Boa sorte na sua nova busca!
─ Adeus, meu amigo! Boa sorte para você também!
Besteiras? A História nos mostra alquimistas procurando a imortalidade e algumas lendas sobre vampiros imortais e o que se sabe é que ambos desapareceram. Só isto, nada mais. Se existiram algum dia e se houve este encontro, não importa; o que interessa na verdade é o ensinamento que ficou deste diálogo insólito, seja ele real ou imaginário.
Considerações sobre um arbusto
Um sinal de otimismo
Era um final de tarde quente e o trânsito estava todo congestionado. Para quem mora em uma grande cidade como São Paulo, esta é uma cena comum e não significa nada mais do que um dia normal na hora do "rush". Era uma movimentada avenida, ao lado do rio Tietê, que já foi um rio limpo e onde os casais passeavam em pequenos barcos nos finais de semana. Hoje, coitado, na zona urbana da grande São Paulo, é simplesmente um volume de água suja e fétida, onde não se percebe movimento algum e classificado pelos especialistas como um rio sem vida.
Em cima deste símbolo da ignorância humana, um extenso viaduto já corroído pela ação do tempo e mostrando em algumas partes a ferragem já enferrujada. Toneladas de ferro e concreto, que um dia foi o orgulho de seu construtor e que hoje, também já dá mostras de cansaço e falta de vida. Um prédio tem vida? Da forma como entendemos, não. Uma construção não tem vida. Ela somente tem uma história e é testemunha muda de fatos que ocorreram ao seu lado.
Mas, voltemos ao início: um rio sem vida, uma construção deteriorada, um dia de calor, um trânsito caótico, milhares de seres estressados em seus carros e, como tempero para esta salada insólita, o cheiro de água podre.
Será que o ser humano tem como reverter tanto estrago feito neste mundo? Será que existe realmente vontade de mudar o rumo das coisas? Será que todos pensam que um rio estragado não fará realmente diferença? Será que o empresário que polui e estraga o meio ambiente, acredita não ter problemas para ele e seus filhos por morar distante, não beber da água daquele rio e não respirar do mesmo ar que sai sem controle das chaminés de sua empresa? É certo achar que tudo vale em nome do progresso, até destruir quem só nos ajuda? O fim justifica os meios? É certo fazer algo errado, contra a Natureza, sob a alegação de que isto vai trazer algum tipo de benefício para alguém? Este é um pensamento de curtíssimo prazo e de absoluta falta de inteligência, acreditem. Precisamos parar de pensar só no curto prazo. Não estamos acostumados a pensar nas próximas décadas, na qualidade de vida futura e muito menos com a preservação da espécie. Por outro lado, será que não temos sinais evidentes de que o futuro da raça humana está sendo comprometido neste exato momento? Será que não estamos exatamente na "hora da virada"?
Existem os pessimistas que dizem que o Homem está fadado a ter um final infeliz e alegam que ele carrega uma carga destrutiva tão grande, que um final catastrófico é inevitável.
Mas, vamos voltar à cena inicial, ao rio sem vida, ao viaduto deteriorado, ao cheiro fétido. Subitamente, uma cena aparentemente sem nenhum atrativo chama a nossa atenção: um lindo arbusto nascendo por entre uma das inúmeras rachaduras do viaduto! Um olhar mais atento e vemos dezenas deles, surgindo vitoriosos por muitas das pequenas fendas de concreto. Sem terra, num ambiente altamente poluído, respirando gases dos escapamentos dos veículos dia e noite, sem ninguém cuidando deles e, de acordo com os pessimistas, sem chance de vida. Mas, contra toda a lógica humana, lá estão eles, cheios de vida, brotando de dentro do concreto, dando uma mensagem clara de otimismo e de confiança no futuro. Um pequeno recado da Natureza para todos os homens que enxergam e que entendem o que está acontecendo. Diz o ditado: Quem tem ouvidos, que ouça; quem tem olhos, que veja! A maior força deste mundo está conosco! Não estamos sós nesta batalha. O Homem tem um aliado cuja força ele nem imagina existir. A Natureza quer nos ajudar, ela renasce das cinzas e dignifica um mundo corrompido. Ela está com as mãos estendidas, disposta a cooperar para fazer deste mundo um lar digno de deuses! Nunca teremos um aliado tão fiel e tão bondoso e, graças aos céus, vemos crescer esta consciência em todos os cantos do planeta. As mensagens estão por todos os cantos, para todos, sem distinção e cada qual à sua maneira, poderá despertar para esta realidade. Como não ser otimista quanto ao futuro, com uma força deste tamanho nos ajudando? Somente se todos ignorassem esta realidade e ninguém percebesse nenhum sinal, somente assim, a Terra seria um dia uma lenda! Mas, não é o que está acontecendo. Estamos vendo cada vez mais seres humanos se preocupando e começando fazer um pouco, não por si, mas pelo futuro da raça humana. Por esta razão, sou otimista quanto ao destino final e acredito que um dia, o Homem ocupará seu lugar de direito neste imenso Universo. Se imaginarmos que exista somente um ser humano em cada trezentos, já pensando desta forma e fazendo sua parte, já somos mais de vinte milhões no mundo. Como saber de tudo isso, como ter esta certeza? Eu diria que basta olhar com atenção um arbusto lindo crescendo do meio de uma rachadura no concreto de um viaduto corroído pelo tempo, ao lado de um rio sem vida, poluído e mal cheiroso, num dia quente de verão e parado no meio de um congestionamento em uma das maiores cidades do mundo. Os sinais desfilam ao nosso lado todos os dias! Basta olhar e enxergar de verdade, com outros olhos. Depois é só começar a trabalhar.
Recall do ser humano
Recall é uma palavra inglesa que significa “chamar de volta” ou “recolha de material”, geralmente ocasionado pela descoberta de problemas relacionados com o produto. O recall é uma tentativa feita pelo fabricante para limitar a responsabilidade por negligência corporativa e evitar danos à empresa fabricante e obviamente aos que estão em contato direto com o produto. Geralmente envolvem a substituição do produto recolhido ou o pagamento dos danos causados pelo uso do produto defeituoso, ou ambos. Às vezes é feito com grande alarde, para dar a impressão de que é uma indústria séria, que reconheceu seu defeito e tomou as devidas medidas corretivas e às vezes é feito na calada da noite, sem nenhum alarde ou notas na imprensa, para não causar perguntas incômodas. Na verdade, a própria decisão de fazer um recall passa por uma análise criteriosa de perdas e ganhos.
No Brasil, os recalls ficaram conhecidos principalmente através da indústria automotiva e logo se estenderam para praticamente todos os segmentos do mercado. Exemplos de recalls mais recentes são de carros diversos, brinquedos, embalagens, alimentos contaminados, medicamentos, vacinas, carrinhos para transportar bebês, etc.. O último recall que vimos foi da rede McDonald’s, que está retirando do mercado americano 12 milhões de copos de vidro com desenhos do filme Shrek, pois os desenhos das figuras contém cádmio, um metal sabidamente tóxico e cancerígeno.
A cada dia, vemos um novo tipo de recall pelo mundo, mas existe um em particular que pode estar em andamento e que ninguém percebe ou divulga: É o recall do ser humano!
Sem dúvida existem lotes defeituosos na praça, pela simples constatação do aumento de problemas pelo mundo, como por exemplo: uma falta de respeito generalizada, pedofilia e criminalidade crescente, novas drogas mais potentes e populares a cada ano, desprezo pela vida em geral, ataques ao planeta de todos os lados, como o recente e ainda em curso vazamento de petróleo no golfo do México, desmatamentos, contaminação química de todos os tipos, alimentos geneticamente modificados, doenças criadas em laboratórios, e um sem número de desmandos feitos pelo homem. Se considerarmos o homem como um produto, sem dúvida, é um produto perigoso não só para si próprio como para todas as espécies do planeta e também para a harmonia do sistema. Dentro desta lógica, está na hora de se fazer um recall do produto ser humano, para o bem geral dele mesmo e de todas as espécies.
Os religiosos podem dar outra conotação, chamar este evento de juízo final, apocalipse, final dos tempos, e assim por diante, mas para aqueles que gostam de termos mais técnicos, podemos dizer simplesmente que está na hora de fazer um recall, pois o mercado já está ciente da existência de lotes defeituosos que exigem um reparo por parte da empresa responsável.
Talvez este recall já tenha iniciado e ainda não tomamos consciência de sua existência, pois sua divulgação segue outros padrões e estamos muito desatentos. Tanto isto é verdade que muita gente nem sabia do recall dos 12 milhões de copos do McDonald’s.
Moradores de rua - um mundo desconhecido!
Um dia destes assisti a um filme chamado The Soloist (O Solista) sobre um músico talentoso que era morador de rua por problemas mentais. No final do filme falaram sobre a existência de 90.000 moradores de rua na cidade de Los Angeles - EUA. Naquele instante resolvi escrever sobre o assunto.
Descobri por exemplo, que não existem estatísticas seguras em lugar nenhum do mundo e no Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não pode chegar a um número correto, pois os moradores de rua não possuem endereço fixo! Acho que se tivessem não seriam moradores de rua, mas vamos em frente.
Os números mais aproximados mostram que nos Estados Unidos existem perto de 350 mil moradores de rua, sendo que 100 mil passam a noite em abrigos públicos. Isto significa mais de 0,1% da população. Em Nova Iorque, são mais de 60 mil e em Los Angeles passam de 90 mil. Na Inglaterra, eles são mais de 300 mil, o que dá aproximadamente 0,6% da população. Em Moscou, sabe-se que morreram mais de 400 pessoas nas ruas devido ao extremo frio durante o último inverno, mas não se tem idéia de quantos são no total.
No Brasil, de acordo com a própria agência Brasil e um levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social feito com base em 76 municípios, estima-se entre 0,6% a 1,0% o total de brasileiros que vivem nas ruas, o que significa entre 1,0 a 1,8 milhões de pessoas. Vocês imaginam o que é isto?
Pessoas que não possuem identidades, totalmente excluídas do sistema por diversos problemas como alcoolismo, drogas, doenças mentais, desavenças com familiares, desemprego, desilusão com a vida e outros. É muito triste saber que este é o mundo em que vivemos, mas é real. Ele existe, quer o vejamos ou não! Enquanto estou escrevendo este artigo no aconchego do meu lar, existem pessoas preocupadas em ter um jornal para se cobrir e tentar sobreviver ao frio da noite, para chegar vivo no dia seguinte, quando o sol voltar a aquecer nosso planeta.
Uma pesquisa feita em 2006 pelo Ministério Social e Combate a Fome entre 32 mil moradores de rua mostrou outro dado surpreendente: 74% sabe ler e escrever, 48% concluiu o ensino fundamental, 5% têm o curso superior incompleto e 2%, ou seja, mais de 600 moradores de rua, além do curso superior completo, falam outros idiomas.
Em São Paulo, a prefeitura instalou rampas “contra morador de rua” nas extremidades subterrâneas da Avenida Paulista. O piso é “chapiscado”, tornando-o mais áspero e incômodo para quem tentar dormir lá. Os viadutos das grandes cidades são os condomínios de luxo desta classe de brasileiros excluídos. Também existe a denúncia de que as equipes de limpeza urbana da prefeitura jogam água nos cobertores dos moradores de rua, numa tentativa de afastar este pessoal da região onde dormem. Segundo os responsáveis, a limpeza é necessária, pois a imundície destes locais é grande e a população reclama. Em 2007, durante a vista do papa Bento XVI, foram retirados por assistentes sociais da prefeitura todos moradores de rua das imediações onde o papa ficou hospedado e do trajeto que iria percorrer, para criar um cenário mais bonito.
Em maio de 2009, o governo estendeu a participação da Bolsa Família aos moradores de rua, prevendo incorporar mais 600 mil novos beneficiários já no próximo ano. Na época, o ministro Patrus Ananias defendeu a medida alegando que “as pessoas têm o direito de viver com dignidade”.
O governo desconhece o número de moradores de rua, mas estende a eles os benefícios da Bolsa Família. Eu não sou contra dar de comer a quem tem fome, mas eu sou contra nada fazer para tirá-los desta situação degradante! Dêem de comer de imediato, mas tirem estes brasileiros da rua! Façamos uma política de recuperação de brasileiros e não de perpetuação da miséria.
Outro fato interessante: Geovan de Souza, 38 anos, um morador de rua, após muitas tentativas, passou no vestibular do curso de matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e foi impedido de fazer a matrícula, pois não apresentou a conclusão do curso fundamental, apesar de apresentar a conclusão do ensino médio. Ora, para ter o ensino médio ele terminou o fundamental! A interferência do governador do Píauí junto à universidade do Rio Grande do Sul garantiu sua vaga, mediante a emissão de uma segunda via do documento em questão. Precisou a interferência de um governador e de um reitor para que a burocracia não matasse de vez o sonho de um morador de rua! Será que queremos de verdade mudar esta situação? Enquanto o mundo tiver este tipo de problema, não será considerado um mundo digno, digam o que disserem os especialistas!
Perguntaram a um morador das ruas de São Paulo, Luiz Leonel de Lima, 45 anos, sobre o que há de pior em viver nas ruas. Ele coçou a barba, olhou para o nada, e respondeu:
− O pior... O pior é a chuva!
Enquanto eu faço esta crônica, vejo a chuva lá fora!
O petróleo continua jorrando no Golfo!
Desde o dia 20 de abril vaza petróleo sem cessar no Golfo do México! No início falaram que eram 5.000 barris por dia; pouco tempo depois, este número subiu para 20.000 e hoje falam em mais de 50.000 barris por dia. Isto significa um vazamento de 8 milhões de litros por dia! Ao que tudo indica o vazamento está aumentando e os Estados Unidos já anunciaram ser o maior desastre ecológico dos EUA. Estão enganados, pois é o maior do mundo e não dos EUA!
Alguns especialistas dizem que a pressão do petróleo que está saindo do fundo da Terra está altíssima e continua aumentando; esta situação faz com que a cada novo dia, este poço fique mais difícil de ser fechado. Também dizem que uma explicação para tamanha pressão interna é a existência de uma grande bacia de gás metano, que está impulsionando o petróleo para fora. Se este bolsão de metano explodir, poderá gerar várias ondas gigantes ou tsunamis de enorme intensidade.
A empresa inglesa BP está perfurando em ritmo acelerado um novo poço ao lado, numa tentativa de aliviar essa pressão e, se tudo der certo, acreditam estancar o vazamento em agosto. Esta parece ser a última tentativa e caso não funcione, não sabem mais o que fazer.
Para piorar a situação, existem indícios de que várias fissuras já apareceram mostrando vazamentos menores ao lado do foco principal e a cabeça do poço está sendo destruída pela força do petróleo que sai. Se isto acontecer o buraco aumentará significativamente e irá agravar ainda mais a situação. Alguns especialistas alegam que neste caso, a última alternativa será explodir uma bomba nuclear de baixa potência no centro do vazamento, numa tentativa de derreter as rochas e fazer com que elas tapem o buraco.
Outra teoria diz que este vazamento somente será estancado quando o petróleo sair todo para fora, a pressão diminuir e permitir que a água entre no buraco para fechá-lo normalmente. Neste caso o vazamento será tamanho, que contaminará todo o oceano, sem contar que este vazio será preenchido por água e lama o que irá gerar uma movimentação no fundo do mar sem precedentes.
Os EUA deveriam aceitar toda ajuda possível, independente de qualquer ideologia, pois o problema não está restrito à costa americana. Alguém precisa fechar este buraco, não importa quem. Pode ser americano, inglês, iraniano, brasileiro, não interessa a nacionalidade ou o credo. É a Terra que está em jogo. É tempo de humildade e união frente a um problema maior! Talvez seja a chance de o mundo se unir e mudar conceitos. Talvez seja um grande teste para ver se a estupidez humana consegue ter um fim ou se os homens preferem morrer a admitir um erro. Uma coisa é certa: o mundo nunca mais será o mesmo após 20 de abril de 2010, dia em que o Homem conheceu este sinistro buraco aberto pela irresponsabilidade e ganância humana.
Para os que gostam de profecias, é curioso lembrar o segundo e o terceiro dos sete flagelos que está descrito para o final dos tempos, de acordo com o livro do Apocalipse:
“Derramou o segundo anjo a sua taça no mar, e, este se tornou em sangue como de morto, e morreu todo ser vivente que havia no mar”.
Vocês sabiam que o sangue de uma pessoa morta fica preto e viscoso em pouco tempo? Ele fica como se fosse petróleo! Interessante...
“Derramou o terceiro anjo a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e elas também se tornaram em sangue”. Isto é uma extensão normal da destruição dos mares, que em seguida atinge os rios. Aliás, o petróleo oriundo deste vazamento já pode ser visto na foz do rio Mississipi, o segundo maior rio dos EUA.
Curiosidades a parte, o fato é que este buraco precisa ser fechado. Por outro lado parece que, neste momento, a maioria dos países está muito mais preocupada com a Copa do Mundo na África do Sul e toda a imprensa mundial gasta mais tempo falando sobre jogos de futebol do que de uma tragédia desta envergadura. A Copa acabou dia 11 de julho, mas o buraco continua aberto e todos devem saber que, dependendo dos desdobramentos desta tragédia, talvez até a próxima Copa seja comprometida.
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