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Geraldo Nunes

Fotos antigas relembram São Paulo em mais um aniversário

por Geraldo Nunes.

Cidade completa 459 anos e momento melhor que este para ver antigas fotos não há, especialmente as enviadas por ouvintes
 
O advento das redes sociais pela internet aproximou os ouvintes dos programas de rádio e basta aos microfones e relatar algum caso ou situação passada pela cidade que inúmeras fotos daquele local ou acontecimento são postadas pelos ouvintes no twitter ou facebook. Sendo assim aproveito esse espaço que me é dedicado no City Portal para divulgá-las. Algumas fotos pertencem a agências noticiosas ou a profissionais e não nos cabe aqui publicá-las, mas outras que pertencem a acervos pessoais ou remetem a paisagens históricas merecem divulgação desde que autorizadas pelos seus proprietários. De um ouvinte chamado Pedro Oswaldo Scattoni, recebi uma foto do Brás tirada na Avenida Rangel Pestana na década de 1940 e nela se percebe o quanto o bairro era movimentado pelo trânsito, pessoas e o comércio.
 
 
Durante o programa Estadão Notícias levado ao ar nas madrugadas pela Rádio Estadão/ESPN falei certa vez das comemorações do IV Centenário de fundação da cidade de São Paulo que aconteceram não em 25 de janeiro de 1954 como nós mais jovens presumimos, mas em 9 de julho daquele ano, uma data também importante para os paulistas. Logo depois dessa informação, a ouvinte Flávia Marques postou uma foto que mostra autoridades desembarcando de seus automóveis, em frente à população aglomerada na Praça da Sé, para a missa campal em frente à catedral recém - inaugurada marcando o início das comemorações.
 
 
Neste mesmo ano de 1954 o fotógrafo Antonio Aguillar fazia registro do casarão que serviu de sede à Rádio América, na esquina entre a Rua da Consolação e a Rua Martins Fontes, próximo de onde está hoje o prédio do Hotel Jaraguá, mesmo edifício que já abrigou as redações dos jornais O Estado de São Paulo, Gazeta Mercantil e Diário Popular.  Era ano eleitoral e além do casarão por isso aparece quase no telhado do casarão um pôster do então candidato Adhemar de Barros ao mesmo tempo em que na rua passa um bonde aberto com um cidadão pendurado no estribo e um carro passando pelo bonde em sentido oposto. 
Na esquina dois carros aguardam a abertura do semáforo e ao fundo ainda não aparece o edifício Copan que seria construído anos mais tarde. No ano em que essa foto foi tirada, 1954, o locutor Salomão Esper, recém-chegado a São Paulo das bandas de Santa Rita do Passa Quatro, integrava o cast da América. Já o autor da foto, Antonio Aguillar, se tornaria radialista ocupando espaço nessa emissora hoje desativada. Aguillar ainda hoje, com 84 anos, apresenta um programa nos finais de semana pela Rádio Capital. O casarão fotografado seria demolido dois anos depois.
 
 
Foi também a ouvinte Flávia Marques quem me enviou essa foto do Rio Tietê onde aparecem dois barcos e seus respectivos barqueiros tentando passar por baixo de uma ponte de concreto onde hoje está a atual Ponte da Vila Guilherme. Segundo a ouvinte, a rua que segue após a ponte é a Carlos de Campos,  no Pari, embora a visão que se tenha é a da zona norte. Percebe-se que o rio estava cheio, pois os barcos estão quase esbarrando na ponte.  Antigamente, ao longo do Tietê,  não havia tantas pontes como hoje e para se atravessar de um lado ao outro havia barqueiros que cobravam pelo serviço. Por isso acreditamos que a foto em questão remonta ao início dos anos 1940. A foto foi tirada na direção da zona norte e as casas da região eram muito simples, pois costumeiramente eram invadidas pelas águas todas as vezes em que o rio transbordava.
 
 
Como resido na Aclimação, o ouvinte Francisco de Assis fez questão de me presentear com uma foto da Rua Apeninos cujo nome se encaixa à geografia do trajeto. Na Itália os montes apeninos seguem pelo país do litoral do golfo de Genova aos Alpes Marítimos e neste bairro paulistano segue um trajeto de aclive e declive entre as ruas Paraíso e Pires da Mota. A foto tirada em 1958 é justamente desse trecho onde se avista o antigo prédio da Cervejaria Brahma, sua chaminé e ainda a cúpula da Catedral Ortodoxa do Paraíso que é de 1951, localizada na Rua Vergueiro, 1515. O prédio da Brahma hoje está fora dessa paisagem, foi demolido na década de 1990 e durante anos os terrenos permaneceram vazios porque se temia que uma nova construção pudesse se atingir as estruturas da estação Paraíso do metrô, vizinha ao conjunto. Depois de um longo e detalhado estudo três torres residenciais foram construídas no quadrilátero entre as ruas Vergueiro, Correa Dias, Paraíso e Apeninos, durante a década de 2000, cobrindo a visão da cúpula da igreja na Rua Apeninos.
 
 
Obras nunca faltaram na cidade como se percebe nessa foto do final da década de 1940 onde aparece o viaduto Santa Ifigênia e mais abaixo a Avenida Prestes Maia sendo alargada. A paisagem da região hoje está bem mudada porque mais edifícios foram construídos. Dessa época permanecem o Colégio São Bento, os edifícios Martinelli e Banespa. 
 
 
A obra na Avenida Prestes Maia resultaria na passagem subterrânea que ganhou o apelido “buraco do Adhemar”. Os dois atuais túneis do Anhangabaú só seriam construídos em substituição entre 1988 e 1990.
 
 
Como o centro tornou-se uma ilha em torno da cidade que se modifica a todo instante, a foto remetida pelo ouvinte Eduardo Britto, do edifício Banespa, em 2012, indica que por mais que se mexa e se construa alguns lugares de São Paulo continuarão sendo os mesmos ainda que se tente modificá-los. Ou seja, modifica-se a roupa, mas o rosto da cidade permanece o mesmo.
Parabéns São Paulo pelos seus 459 anos.